De Alvo a Aliado: Ministro Venezuelano Vira Peça-Chave de Trump na Venezuela
De Alvo a Aliado: Ministro Venezuelano Vira Peça-Chave de Trump na Venezuela

De Alvo a Aliado: Ministro Venezuelano Vira Peça-Chave de Trump na Venezuela

A improvável cooperação entre Washington e Caracas revela uma nova dinâmica de poder na Venezuela pós-intervenção. Diosdado Cabello, uma figura proeminente e controversa do regime venezuelano, antes alvo de sanções e com uma recompensa de US$ 25 milhões oferecida pelos Estados Unidos por sua captura, emergiu como um inesperado colaborador do governo de Donald Trump. […]

Resumo

A improvável cooperação entre Washington e Caracas revela uma nova dinâmica de poder na Venezuela pós-intervenção.

Diosdado Cabello, uma figura proeminente e controversa do regime venezuelano, antes alvo de sanções e com uma recompensa de US$ 25 milhões oferecida pelos Estados Unidos por sua captura, emergiu como um inesperado colaborador do governo de Donald Trump. Essa transformação, que desafia o histórico de acusações de tráfico de drogas, desvio de fundos e repressão a opositores, tornou-se mais evidente após a intervenção militar americana em janeiro e os subsequentes terremotos que abalaram o país.

A mudança de postura de Washington em relação a Cabello, que até então era um dos principais alvos de sua política externa para a Venezuela, gerou tanto apoio pragmático quanto críticas contundentes. Enquanto alguns veem essa aproximação como uma concessão necessária para alcançar maior estabilidade, outros a consideram uma traição ao desejo popular por mudança política. As informações foram reunidas a partir de reportagens do The New York Times.

Da Lista de Procurados à Colaboração Estratégica

O histórico de Cabello com as autoridades americanas é extenso e repleto de acusações graves. Promotores federais o acusam de ter auxiliado no tráfico de toneladas de cocaína, enquanto o Departamento do Tesouro impôs sanções por desvio de fundos. Além disso, a ONU o aponta como um dos líderes do aparato de repressão venezuelano, e o Chile o investiga por supostamente ordenar o assassinato de um dissidente exilado. Apesar disso, Cabello não apenas manteve seu cargo ministerial após a intervenção de janeiro, como assumiu um novo papel: o de promotor dos interesses americanos.

Essa nova dinâmica ficou evidente em eventos públicos recentes, onde Cabello foi visto cumprimentando diplomatas americanos e sendo fotografado ao lado de generais em reuniões. A intervenção militar de janeiro, que transformou o país em um protetorado da Casa Branca, levou Trump a optar por trabalhar com membros do regime autocrático em vez da oposição pró-democracia. O resultado foi a reintegração de figuras proeminentes do aparato repressivo ao novo “governo”.

Terremotos Aprofundam a Cooperação Inesperada

Os terremotos que assolaram a Venezuela aprofundaram essa cooperação, com as autoridades americanas declarando apoio à líder interina, Delcy Rodríguez, e enviando ajuda emergencial e tropas para auxiliar nos resgates e na reconstrução. Essa situação gerou uma dinâmica peculiar, onde autoridades venezuelanas procuradas pelos EUA se veem lidando diariamente com representantes americanos.

Cabello, um dos fundadores do Partido Socialista, que governa há décadas, é uma figura central nessa nova configuração. Sua influência sobre as Forças Armadas e a polícia lhe garante um lugar no círculo informal de poder, dividindo forças com Delcy e seu irmão, Jorge Rodríguez. Analistas se referem a esse arranjo como um “triunvirato”, com Cabello focado em manter a segurança e a estabilidade internas, além de exercer influência sobre grupos paramilitares pró-governo.

Retórica Mudada e Futuro Incerto

Anos atrás, Cabello era um crítico ferrenho dos EUA, mas sua retórica mudou drasticamente. Ele abandonou as críticas ao “imperialismo”, trocou seu visual habitual por trajes mais sóbrios e passou a promover a cooperação militar com a Casa Branca, após prever um “outro Vietnã” em caso de ataque à Venezuela. Essa transformação é vista por observadores como uma estratégia para se tornar útil aos americanos e garantir um papel na nova fase do país.

Além de sua nova função política, Cabello também busca ampliar seu poder promovendo a filha, Daniella Cabello, como candidata nas próximas eleições. No entanto, seu futuro permanece incerto. Apesar de seu papel proeminente, ele corre o risco de ser preso caso os planos de Washington para a Venezuela mudem. Enquanto isso, a antiga rivalidade com Delcy e Jorge Rodríguez foi deixada de lado em prol da manutenção do poder diante da pressão externa, embora a confiança mútua ainda seja um ponto de interrogação.

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