Copa de 2026: Menos cera em campo, mas tempo de jogo efetivo fica estagnado
Copa de 2026: Menos cera em campo, mas tempo de jogo efetivo fica estagnado

Copa de 2026: Menos cera em campo, mas tempo de jogo efetivo fica estagnado

A Copa do Mundo de 2026 apresentou uma redução notável no tempo de ‘cera’, a prática de atrasar propositalmente o reinício do jogo por parte dos jogadores. No entanto, essa tentativa da FIFA de aumentar o tempo com bola rolando não se traduziu em mais futebol para o espectador. A introdução de pausas para hidratação […]

Resumo

A Copa do Mundo de 2026 apresentou uma redução notável no tempo de ‘cera’, a prática de atrasar propositalmente o reinício do jogo por parte dos jogadores. No entanto, essa tentativa da FIFA de aumentar o tempo com bola rolando não se traduziu em mais futebol para o espectador. A introdução de pausas para hidratação e a reposição parcial do tempo perdido pela arbitragem acabaram absorvendo a maior parte da economia gerada, resultando em um tempo de jogo efetivo praticamente idêntico ao da edição de 2022.

A análise, baseada em dados da plataforma de estatísticas esportivas Opta e divulgada pela Folha, revela que, apesar das novas diretrizes da entidade máxima do futebol, como a contagem regressiva para laterais e tiros de meta, o tempo de bola em jogo permaneceu quase o mesmo. Em partidas decisivas, observou-se uma ligeira melhora na agilidade das equipes em vantagem, com diminuições significativas nos tempos de cobrança de tiro de meta (de 22 para 12 segundos), lateral (de 11 para 6 segundos) e falta (de 10 para 7 segundos). A reposição de bola pelo goleiro após defesa com as mãos também foi mais rápida, caindo de 10 para quatro segundos. Apenas o escanteio manteve seu tempo.

No acumulado, cada partida da Copa de 2026, com duração média de 103 minutos, registrou 33,4 minutos de bola parada (excluindo a pausa para hidratação), uma queda em relação aos 37,7 minutos de 2022. O ganho de 4,3 minutos na redução da ‘cera’ foi, contudo, anulado por dois fatores principais. O primeiro é a nova pausa para hidratação, implementada pela primeira vez na Copa do Mundo de Clubes de 2025 para proteger os atletas do calor. Essa pausa adiciona, em média, 6,2 minutos de interrupção por partida, independentemente das condições climáticas ou da infraestrutura dos estádios.

Assim, a Copa de 2026 trocou cerca de quatro minutos de ‘cera’ economizados por seis minutos de pausa para hidratação, resultando em um saldo negativo em termos de tempo de jogo efetivo. O tempo de bola rolando ficou em 63,2 minutos em 2026, contra 63,7 minutos em 2022. O cenário poderia ser diferente se a reposição do tempo perdido pela arbitragem fosse mais rigorosa. Enquanto em 2022 o tempo subtraído em um jogo com 11 minutos de ‘cera’ no segundo tempo era de apenas 2,2 minutos, em 2026 esse número dobrou para 4,7 minutos, retornando a níveis próximos aos de 2018.

Partidas com menos futebol e destaques de bola rolando

A partida entre Canadá e Bósnia, na fase de grupos, destacou-se pela menor porcentagem de tempo de bola rolando em relação à duração total, com apenas 48% (48 minutos de jogo efetivo contra 52 minutos de bola parada). Apesar disso, o confronto foi marcante para os canadenses, que conquistaram seu primeiro ponto histórico em Copas com um empate de 1 a 1. Outro jogo do Canadá, contra o Qatar, também apresentou baixo tempo de jogo efetivo (51,7%), mas foi palco da primeira vitória da seleção em Mundiais, um placar de 6 a 0.

Em contrapartida, o jogo que rendeu a Curaçao seu primeiro ponto em Copas, contra o Equador, foi o que apresentou maior tempo de bola rolando, com 72,7% de futebol em um total de 106,1 minutos. A partida entre Argentina e Cabo Verde, que foi para a prorrogação e terminou com vitória sul-americana por 3 a 2, também se destacou, com 71,9% de jogo efetivo.

Os jogos da seleção brasileira na Copa de 2026 apresentaram variação no tempo de bola rolando, indo de 58,5% contra o Haiti a 65,4% na eliminação para a Noruega. Em outros confrontos, os números foram 65% contra o Japão, 63,4% contra a Escócia e 61,3% no empate com Marrocos. A análise considerou como interrupções do jogo laterais, tiros de meta, escanteios, faltas, pênaltis, impedimentos, comemorações de gol, substituições, pausas para hidratação, checagens do VAR, lesões e outras paradas genéricas, abrangendo os 102 jogos do torneio até a semifinal.

Tags:

Veja Também

Iniciativas da sociedade civil impulsionam avanços na saúde pública brasileira

Iniciativas da sociedade civil impulsionam avanços na saúde pública brasileira

Peste bubônica: a doença medieval que ainda representa um risco global

Peste bubônica: a doença medieval que ainda representa um risco global

Doença de Creutzfeldt-Jakob: O que a ciência oferece hoje contra a doença rara e incurável

Doença de Creutzfeldt-Jakob: O que a ciência oferece hoje contra a doença rara e incurável

Anvisa aprova segundo genérico de semaglutida em uma semana e amplia opções para emagrecimento

Anvisa aprova segundo genérico de semaglutida em uma semana e amplia opções para emagrecimento

Lito Sousa apela por tratamento experimental contra doença rara e agressiva

Lito Sousa apela por tratamento experimental contra doença rara e agressiva