Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprova aumento temporário da adição de etanol anidro à gasolina, que sobe de 30% para 32%. A medida, válida por seis meses a partir de 1º de agosto, com possibilidade de prorrogação, busca fortalecer a matriz energética nacional e diminuir a dependência de derivados de petróleo importados.
A decisão, formalizada por resolução do CNPE, foi motivada por razões econômicas, conforme comunicado pelo Ministério de Minas e Energia (MME). A intenção é conter a exposição do país às flutuações de preço do petróleo, intensificadas pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Ao priorizar o etanol produzido internamente, o governo busca não apenas reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, mas também ampliar a participação deste biocombustível na matriz energética brasileira.
Para embasar a medida, o MME informou que testes foram realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). Os resultados indicaram que o aumento da mistura não gera impactos significativos no desempenho e funcionamento de veículos, incluindo aqueles que não possuem tecnologia flex. Esta não é a primeira vez que o percentual de mistura é ajustado; em 2025, o índice já havia passado de 27% para 30%. Historicamente, a adição de etanol à gasolina remonta a 1931, com percentuais iniciais de até 5%.
Setor de combustíveis expressa preocupação
A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) manifestou preocupação com a decisão do CNPE. Em nota divulgada pouco antes do anúncio oficial, a entidade alertou para potenciais riscos ao desempenho e à durabilidade de veículos leves e motocicletas, o que poderia resultar em custos adicionais de manutenção para os consumidores. A Fecombustíveis ressaltou o compromisso do setor com a qualidade da cadeia logística, mas enfatizou a necessidade de avaliações técnicas prévias, transparentes e abrangentes sobre os combustíveis distribuídos aos consumidores finais.
