A rivalidade que transcende o campo de futebol esquenta a semifinal da Copa do Mundo de 2026 entre Argentina e Inglaterra. O embate, agendado para esta quarta-feira (15) no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, promete não apenas uma disputa acirrada por uma vaga na final, mas também um capítulo adicional na longa história de confrontos entre as duas nações. O clima de decisão é acentuado pela busca de ambas as equipes em apresentar seu melhor futebol, após exibições que, por vezes, deixaram a desejar na fase eliminatória.
A tensão entre argentinos e ingleses tem raízes profundas, que vão além das quatro linhas. O grito de guerra “El que no salta es un inglés” (Quem não pula é um inglês), entoado fervorosamente pela torcida argentina, remonta ao conflito das Malvinas em 1982 e ganhou força nas arquibancadas em momentos de grande rivalidade. Dentro de campo, o confronto mais emblemático ocorreu na Copa de 1986, quando a Argentina, liderada por Diego Maradona, venceu a Inglaterra por 2 a 1, em uma partida marcada pelo “Gol do Século” e pela “Mão de Deus”, ambos de autoria do craque argentino.
Quarenta anos após o auge daquela rivalidade, a Argentina conta novamente com um “semideus” em plena forma: Lionel Messi. Aos 39 anos, o astro do Inter Miami lidera a Albiceleste com oito gols no torneio, dividindo a artilharia. Messi tem sido o pilar da equipe, que avançou em jogos extenuantes com vitórias na prorrogação e nos acréscimos. Apesar de seu brilho individual, o técnico Lionel Scaloni reconhece a necessidade de evolução: “Temos coisas para melhorar”, admitiu após a sofrida classificação contra a Suíça. A experiência de Scaloni com um elenco envelhecido e a ausência de um coadjuvante de peso como Di María na final de 2022 levantam questionamentos sobre a suficiência do talento de Messi para garantir o bicampeonato consecutivo.
Do lado inglês, a esperança recai sobre os ombros de Jude Bellingham. O jovem meia-atacante do Real Madrid tem protagonizado atuações memoráveis, igualando o feito de Maradona de marcar em duas partidas consecutivas de mata-mata no mesmo torneio. Com dois gols contra o México e mais dois na virada sobre a Noruega, Bellingham tem se destacado, tirando o protagonismo de Harry Kane. Ex-jogadores como John Terry e Gilberto Silva comparam o craque inglês a Zinedine Zidane, elogiando sua capacidade de carregar a equipe e sua calma fora de campo. Contudo, a relação entre Bellingham e o técnico Thomas Tuchel parece ter alguns atritos, evidenciados por trocas de farpas após a vitória contra a Noruega, onde Tuchel criticou a atuação da equipe e Bellingham rebateu, sugerindo que o treinador desconhece as dificuldades de jogar sob tais condições.
Um Duelo de Estilos e Histórias
Apesar da rica história de confrontos, Messi nunca enfrentou a Inglaterra em Copas do Mundo. O retrospecto geral em cinco jogos mostra três vitórias inglesas, um empate (com classificação argentina nos pênaltis) e a icônica vitória de 1986. O último encontro, em 2002, terminou com vitória inglesa por 1 a 0, com gol de David Beckham, atual chefe de Messi no Inter Miami. A partida desta quarta-feira, portanto, representa não apenas uma semifinal, mas um novo capítulo na rivalidade, com duas equipes que, embora tenham demonstrado resiliência, ainda buscam a plenitude de seu futebol.
A escalação da Inglaterra pode contar com o retorno de Reece James na lateral, com Konsa mantido na defesa ao lado de Stones e Guéhi, e Saka podendo voltar ao ataque. Na Argentina, a base da equipe que tem chegado às fases finais deve se manter, com Messi e Julián Álvarez no ataque. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo jornalismo esportivo.
Serviço:
Data: 15 de julho de 2026 (quarta-feira), às 16h
Local: Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta (EUA)
Transmissão: Globo, SBT, CazéTV, N Sports, SporTV e Ge TV (Globoplay)
Arbitragem: Ismail Elfath (EUA)
Escalações prováveis:
Inglaterra: Pickford; Konsa, Stones, Guéhi e O’Reilly; Rice e Anderson; Saka, Bellingham e Gordon; Kane. Técnico: Thomas Tuchel.
Argentina: E. Martinez; Molina, Romero, L. Martinez e Tagliafico; Paredes, De Paul, Enzo Fernández e Mac Allister; Messi e Julián Álvarez. Técnico: Lionel Scaloni.
