Ministério da Saúde expande acesso a tratamento mais eficaz contra o diabetes
O Sistema Único de Saúde (SUS) iniciou neste mês a distribuição nacional da insulina glargina, um medicamento mais moderno e de ação prolongada, em 21 estados brasileiros. A iniciativa, que faz parte de um plano de substituição gradual da insulina NPH, visa oferecer um tratamento mais eficaz e de menor frequência de aplicação para pacientes com diabetes tipo 1 e tipo 2, com foco em crianças, adolescentes e idosos. Até a última terça-feira (14), foram distribuídos 358,5 mil tubetes do medicamento, conforme divulgado pelo Ministério da Saúde.
A insulina glargina, incorporada ao SUS em 2019, oferece uma alternativa de ação prolongada, com duração aproximada de 24 horas, o que geralmente permite uma única aplicação diária. Em contraste, a insulina NPH, de ação intermediária e mais antiga, frequentemente exige duas ou até três aplicações ao longo do dia para manter o controle glicêmico, o que pode dificultar a adesão ao tratamento. O público elegível para receber a nova insulina inclui pacientes de 2 a 17 anos com diabetes tipo 1 e indivíduos com 70 anos ou mais, independentemente do tipo de diabetes. A retirada do medicamento ocorre em Unidades Básicas de Saúde (UBS), mediante avaliação clínica e prescrição médica.
Os estados que já receberam as primeiras remessas de insulina glargina são São Paulo, Amapá, Paraíba, Paraná, Alagoas, Amazonas, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, Piauí, Minas Gerais e Bahia. O Ministério da Saúde planeja enviar novas remessas para Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Tocantins até o final de julho, completando a distribuição inicial.
Transição gradual e piloto anteriores
A introdução da insulina glargina no SUS não é inédita. Nos meses de fevereiro e março deste ano, um projeto-piloto já havia disponibilizado o medicamento para Amapá, Paraíba, Paraná e Distrito Federal, como parte da transição da NPH para a nova formulação. O Distrito Federal, por exemplo, não recebeu novas doses neste ciclo por já possuir estoque suficiente para atender a demanda local. A expectativa inicial para a chegada da insulina glargina à rede pública era para fevereiro de 2025, mas a distribuição efetiva começou mais de um ano antes do previsto, sete anos após sua incorporação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
A mudança representa um avanço significativo na gestão do diabetes pelo SUS, com o objetivo de simplificar a rotina de tratamento dos pacientes e, consequentemente, melhorar os resultados clínicos a longo prazo, reduzindo complicações associadas à doença e à dificuldade de adesão terapêutica.
