Ex-major da PM brasileiro, comparado a Escobar e El Chapo, enfrenta julgamento bilionário na Europa
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Ex-major da PM brasileiro, comparado a Escobar e El Chapo, enfrenta julgamento bilionário na Europa

Julgamento na Bélgica pode expor conexões ocultas do narcotráfico internacional O ex-major da Polícia Militar Sergio Roberto de Carvalho, figura proeminente no cenário do crime organizado internacional, está no centro de um julgamento na Bélgica que promete desvendar os meandros de uma fortuna bilionária ligada ao narcotráfico. Considerado por autoridades brasileiras e internacionais como um […]

Resumo

Julgamento na Bélgica pode expor conexões ocultas do narcotráfico internacional

O ex-major da Polícia Militar Sergio Roberto de Carvalho, figura proeminente no cenário do crime organizado internacional, está no centro de um julgamento na Bélgica que promete desvendar os meandros de uma fortuna bilionária ligada ao narcotráfico. Considerado por autoridades brasileiras e internacionais como um dos maiores traficantes de drogas da história, ao lado de nomes como Pablo Escobar e Joaquín “El Chapo” Guzmán, Carvalho teria extrapolado o papel de mero fornecedor, participando ativamente da distribuição e do lucro da cocaína no mercado europeu.

A investigação que culminou na apreensão de mais de R$ 1 bilhão em bens só no Brasil, incluindo 36 aeronaves, aponta para um esquema de proporções globais. O delegado Sérgio Stinglin, da Polícia Federal, que comandou a operação Enterprise, descreveu Carvalho como um “gestor” de uma complexa cadeia logística do tráfico, responsável por orquestrar desde a aquisição da droga na origem até sua distribuição e venda na Europa. “Ele era um dos donos da própria operação de distribuição de cocaína dentro da Europa”, afirmou Stinglin à reportagem da Gazeta do Povo.

O julgamento de Carvalho na Bélgica, com previsão de retomada em 7 de setembro, não apenas busca sua condenação, mas também pode trazer à tona conexões ainda não totalmente reveladas com outros grupos criminosos e figuras influentes no tráfico internacional. Enquanto os advogados do ex-major na Bélgica alegam sua inocência, as evidências apresentadas pela Polícia Federal pintam o quadro de um operador de elite no mundo do crime.

Um império construído sobre o tráfico

O patrimônio de Sergio Roberto de Carvalho, apreendido no Brasil, inclui uma vasta gama de bens de luxo, como imóveis, joias e carros de alta cilindrada. Estima-se que o ex-major tenha lucrado pelo menos 380 milhões de euros, o que supera os R$ 2 bilhões, com as 50 toneladas de cocaína investigadas na operação Enterprise, sem contar os lucros adicionais da venda da droga na Europa. Na Bélgica, a estimativa é de um faturamento de ao menos 200 milhões de euros com 16 toneladas de cocaína documentadas.

A operação Enterprise, considerada uma das maiores da história da Polícia Federal contra o tráfico internacional, revelou que as cadeias logísticas do crime são compartilhadas por diferentes quadrilhas. “O tráfico internacional é setorizado. Tem um grupo que pega cocaína no produtor da Bolívia e passa para Dourados, no Mato Grosso do Sul, por exemplo. Aí tem outro grupo que pega cocaína em Dourados e leva para Paranaguá”, explicou o delegado Stinglin, ressaltando que, apesar da especialização de cada etapa, a coordenação geral ficava a cargo de líderes como Carvalho.

Histórico criminal de longa data

O envolvimento de Sergio Roberto de Carvalho com atividades criminosas remonta à década de 1980. Iniciou sua carreira como contrabandista na fronteira com o Paraguai, aproximando-se de figuras como Fahd Jamil Georges. Ao longo dos anos, acumulou um histórico de flagrantes em atividades ilícitas, incluindo contrabando de pneus e uísque, além de apreensões de cocaína em suas propriedades. Apesar de ter sido condenado em alguns casos, conseguiu progressões de pena e, em outras situações, foi absolvido ou os casos prescreveram.

Em 2010, foi acusado de desviar R$ 3,9 milhões de um inventário judicial, e em 2016 desapareceu de Campo Grande, período em que a PF suspeita que seu esquema de tráfico internacional já estivesse em plena operação. Ele só foi expulso da PM e teve sua aposentadoria cassada em 2018. A investigação da operação Enterprise gerou desdobramentos em várias outras operações, com prisões e apreensões em diversos países, evidenciando a amplitude da rede.

A colaboração internacional tem sido fundamental para o avanço das investigações, com a Polícia Federal trabalhando em conjunto com autoridades de Portugal, Espanha, Holanda, Alemanha e Emirados Árabes Unidos. O julgamento de Carvalho na Bélgica é visto como um passo crucial para desmantelar a estrutura de um dos maiores cartéis de drogas do mundo e entender suas conexões ocultas.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Polícia Federal e reportagens da Gazeta do Povo.

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