Turismo de Base Comunitária: Experiência Imersiva na Terra Indígena Haliti Paresi
Turismo de Base Comunitária: Experiência Imersiva na Terra Indígena Haliti Paresi

Turismo de Base Comunitária: Experiência Imersiva na Terra Indígena Haliti Paresi

A busca por experiências autênticas impulsiona o turismo de base comunitária no Brasil, com destaque para iniciativas em terras indígenas. A Terra Indígena Haliti Paresi, em Mato Grosso, abre suas portas para visitantes selecionados, oferecendo um mergulho profundo na cultura do povo Paresi. Em um cenário onde o turismo muitas vezes se torna previsível, o […]

Resumo

A busca por experiências autênticas impulsiona o turismo de base comunitária no Brasil, com destaque para iniciativas em terras indígenas. A Terra Indígena Haliti Paresi, em Mato Grosso, abre suas portas para visitantes selecionados, oferecendo um mergulho profundo na cultura do povo Paresi.

Em um cenário onde o turismo muitas vezes se torna previsível, o etnoturismo emerge como um contraponto, valorizando modos de vida, hábitos e tradições de comunidades tradicionais. Essa modalidade de viagem, que ganha força no Brasil, atende à demanda crescente por experiências mais significativas e responsáveis. A reportagem visitou a Terra Indígena Haliti Paresi, localizada no norte de Mato Grosso, que, desde a pandemia, tem implementado um modelo de recepção turística regulamentado, exigindo planejamento e anuência da Funai.

A aldeia Katyalarekwa, uma das cinco abertas à visitação no território, passou por adaptações para receber os primeiros grupos. Com o apoio da agência Vivalá, especializada em turismo sustentável, foi desenhada uma experiência que busca equilibrar as necessidades dos anfitriões e visitantes. As habitações tradicionais, conhecidas como hatis, foram equipadas com barracas confortáveis, incluindo colchões infláveis e roupas de cama, essenciais devido ao clima da região. A infraestrutura também conta com banheiros compartilhados, localizados a uma curta distância das acomodações, e um sistema de banho frio, devido à delicada rede elétrica da aldeia.

As informações foram reunidas a partir de reportagem sobre o turismo na Terra Indígena Haliti Paresi.

Vivência Cultural e Cotidiano Indígena

A aldeia, situada a 360 quilômetros de Cuiabá, é acessível por estradas em boas condições. A visitação pode ser organizada através de pacotes da agência Vivalá ou diretamente com a agência indígena Menane Haliti, oferecendo diferentes modalidades de estadia e serviços. Ao chegar, os visitantes são recebidos com danças típicas e uma cerimônia de apresentação em um espaço dedicado a rituais.

A experiência de hospedagem ocorre nas hatis, espaços amplos e ventilados que acomodam barracas, redes ou camas. O acesso à internet e as refeições são concentrados em um espaço comum. A culinária local surpreende pela variedade e sabor, com pratos que incluem arroz, feijão, carnes, peixes, frutas e o tradicional pão de queijo caseiro, além de opções industrializadas para quem preferir.

Histórias e Tradições à Luz da Fogueira

Ao entardecer, a comunidade se reúne em torno de uma fogueira para compartilhar as ricas histórias do povo Paresi. Mitos de origem, como a lenda do herói ancestral Wazáre, e a importância das flautas sagradas, utilizadas em rituais e guardadas pelos homens, são narrados, proporcionando um profundo entendimento da cosmovisão indígena. A comunicação, embora utilize o português como segunda língua, é acessível e permite um intercâmbio enriquecedor.

Durante as conversas, os visitantes aprendem sobre a história da região, incluindo a passagem dos jesuítas no século XVII e a colaboração dos Paresi com o Marechal Rondon na construção das linhas telegráficas no início do século XX. As manhãs são embaladas por aulas da língua Paresi, ministradas pelo professor Salomão Nezokemazokai, que também leciona para as crianças da aldeia.

Atividades Lúdicas e Conexão com a Natureza

As tardes são reservadas para atividades que integram os visitantes à natureza e à cultura local. Trilhas até o rio, aprendizado sobre plantas medicinais, banhos refrescantes, e a prática de jogos tradicionais como peteca, tidimore e jikyonahati, uma versão de futebol jogada com a cabeça, são algumas das opções. A oportunidade de experimentar arco e flecha e a pintura corporal com grafismos feitos de jenipapo completam a imersão.

Apesar da intensidade das atividades em roteiros de curta duração, os momentos livres são convites à contemplação. Observar o pôr do sol, desfrutar do silêncio e admirar a Via Láctea em um céu noturno sem poluição luminosa são experiências que marcam a visita. O turismo de base comunitária na Terra Indígena Haliti Paresi se consolida como uma jornada transformadora, conectando pessoas a um universo cultural rico e preservado.

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