SUS integra tratamento de doença renal crônica em etapa única
SUS integra tratamento de doença renal crônica em etapa única

SUS integra tratamento de doença renal crônica em etapa única

SUS centraliza tratamento da doença renal crônica em um único processo O Sistema Único de Saúde (SUS) anunciou uma mudança significativa na abordagem ao tratamento da doença renal crônica (DRC). A partir de agora, todo o acompanhamento, desde o diagnóstico inicial até a necessidade de diálise, será realizado em uma etapa única. A medida, divulgada […]

Resumo

SUS centraliza tratamento da doença renal crônica em um único processo

O Sistema Único de Saúde (SUS) anunciou uma mudança significativa na abordagem ao tratamento da doença renal crônica (DRC). A partir de agora, todo o acompanhamento, desde o diagnóstico inicial até a necessidade de diálise, será realizado em uma etapa única. A medida, divulgada pelo Ministério da Saúde durante um congresso de nefrologia em Belo Horizonte, visa otimizar o cuidado e reduzir o tempo de espera dos pacientes, em um cenário de crescente incidência da doença no Brasil.

A decisão surge em um momento de alerta para a saúde renal da população. Um estudo recente da Associação Brasileira de Centro de Diálise e Transplante (ABCDT) revelou um aumento de 9,2% no número de brasileiros em tratamento dialítico em um ano, saltando de 156.473 para 170.868 pacientes entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. O diabetes se consolida como o principal fator desencadeador da doença renal no país, respondendo por um terço dos casos que levam à necessidade de terapia renal substitutiva.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Ministério da Saúde.

Oferta de Cuidado Integrado busca agilidade e eficiência

Segundo Mozart Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, a nova estratégia, denominada Oferta de Cuidado Integrado (OCI) e inserida no programa Agora Tem Especialistas, garante que o paciente diagnosticado com doença renal crônica seja submetido a um fluxo contínuo de cuidados. Anteriormente, a fragmentação do atendimento e a necessidade de aguardar em múltiplas filas atrasavam o início e a progressão do tratamento, o que podia agravar o quadro clínico. Com a integração, consultas, exames e procedimentos serão realizados de forma sequencial e adaptada ao estágio da doença.

A expectativa é que essa integração aumente entre 160% e 260% o repasse financeiro para os prestadores de serviço, o que, por sua vez, deve expandir a oferta de atendimento nefrológico aos usuários do SUS. O objetivo principal é evitar a progressão da doença, permitindo que os pacientes controlem sua condição por mais tempo e, idealmente, evitem a necessidade de diálise através de um acompanhamento mais eficaz.

Diálise: um último recurso com desafios logísticos

A diálise é o procedimento que substitui parcialmente a função dos rins quando estes perdem a capacidade de filtrar o sangue. Ela remove substâncias tóxicas acumuladas no organismo e auxilia no controle de líquidos e do equilíbrio de sais minerais. Na modalidade mais comum, a hemodiálise, o sangue é filtrado por uma máquina em sessões que geralmente duram cerca de quatro horas, três vezes por semana. A regularidade dessas sessões pode impor desafios logísticos significativos, especialmente para pacientes de baixa renda, que podem enfrentar longos deslocamentos, custos de transporte e dificuldades em conciliar o tratamento com suas rotinas de trabalho e outras atividades.

Apesar de o secretário Mozart Sales afirmar que não há fila de diálise para pacientes crônicos no Brasil, existe uma demanda considerável de pacientes com episódios agudos da doença que necessitam do tratamento após hospitalização. O Ministério da Saúde também planeja aumentar a participação da diálise peritoneal no tratamento, passando de 4,55% para cerca de 15%. Este método utiliza uma solução introduzida no abdômen e o peritônio como filtro.

Perspectivas e desafios futuros

A ABCDT estima que cerca de 230 mil pessoas necessitem de diálise no Brasil, o que sugere que mais de 60 mil pessoas estariam sem acesso ao tratamento no período do levantamento. A integração do atendimento pelo SUS visa também reduzir o absenteísmo, ou seja, o abandono das consultas e acompanhamento médico, um fator que contribui para o agravamento da doença. Entre janeiro de 2025 e agosto de 2026, o Ministério da Saúde já havia registrado a abertura de 25 novos pontos de hemodiálise, quatro de diálise peritoneal e 33 unidades pré-dialíticas, demonstrando um esforço contínuo para expandir a infraestrutura de atendimento renal.

A doença renal crônica é caracterizada pela perda persistente e progressiva da função renal, comprometendo a eliminação de resíduos e o equilíbrio do organismo. Sem intervenção adequada, a DRC pode evoluir para estágios graves, aumentando o risco de complicações cardiovasculares e mortalidade.

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