A resiliência de grupos marinhos atuais à pior extinção em massa da Terra, ocorrida há 250 milhões de anos, pode ser explicada pela sua maior tolerância ao aquecimento e à diminuição de oxigênio nas águas. Um novo estudo publicado na revista científica PNAS revela que os organismos que prevalecem nos oceanos de hoje, como moluscos e peixes, possuíam características fisiológicas que lhes permitiram suportar melhor as condições extremas daquele período.
A extinção do final do Permiano é considerada a mais devastadora da história do planeta, eliminando cerca de 80% das espécies marinhas e 70% das terrestres. Essa hecatombe transformou radicalmente os ecossistemas, levando à raridade de grupos que antes dominavam os ambientes aquáticos, como os crinoides e braquiópodes. Em contrapartida, a chamada “fauna moderna”, mais semelhante à que conhecemos hoje, sofreu perdas significativamente menores, com cerca de 30% de suas famílias extintas.
A causa principal dessa catástrofe ambiental é atribuída a erupções vulcânicas massivas na Sibéria, que liberaram enormes quantidades de dióxido de carbono na atmosfera. Isso desencadeou um aquecimento global descontrolado, elevando a temperatura da superfície oceânica em até 11 graus Celsius. Paralelamente, ocorreu uma drástica redução na oxigenação das águas e um aumento em sua acidez, criando um cenário triplamente desafiador para a vida marinha: calor extremo, dificuldade respiratória e barreiras químicas para a formação de conchas e carapaças.
Vantagem metabólica e circulatória
Para investigar as razões por trás da sobrevivência diferencial, pesquisadores de Stanford, liderados por Andres Marquez e Erik Sperling, conduziram experimentos comparando o metabolismo de representantes da fauna paleozoica e da fauna moderna sob condições de aumento de temperatura e escassez de oxigênio. A hipótese era que descendentes modernos ainda conservariam semelhanças fisiológicas com seus ancestrais permianos.
Os testes com um molusco moderno e um braquiópode ancestral indicaram que, embora o braquiópode apresentasse ligeira vantagem na resistência à perda de oxigênio em repouso, o molusco se adaptava melhor ao aumento da temperatura. Ao analisar diversas espécies atuais e suas interações com as variações ambientais, o estudo confirmou a maior tolerância dos moluscos e outros membros da fauna moderna ao aquecimento. A diferença na resistência à falta de oxigênio praticamente se dissipava quando os organismos estavam ativos.
A vantagem decisiva da fauna moderna, segundo os pesquisadores, reside em um sistema circulatório mais desenvolvido. Essa característica permitiu que esses animais lidassem de forma mais eficiente com o aumento da taxa metabólica, otimizando a circulação de gases e nutrientes pelo corpo e, assim, escapando do pior da extinção em massa.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela revista científica PNAS.
