ONU aprova correção de mapas: África ganha em representação, mas desafios persistem
ONU aprova correção de mapas: África ganha em representação, mas desafios persistem

ONU aprova correção de mapas: África ganha em representação, mas desafios persistem

Aprovada por ampla maioria na Assembleia-Geral da ONU, uma resolução recomenda a adoção de mapas que representem com maior precisão o tamanho dos continentes. A iniciativa, liderada pelo Togo e pela União Africana, visa corrigir a distorção visual que historicamente superdimensiona Europa e América do Norte em detrimento da África, com 164 votos a favor, […]

Resumo

Aprovada por ampla maioria na Assembleia-Geral da ONU, uma resolução recomenda a adoção de mapas que representem com maior precisão o tamanho dos continentes. A iniciativa, liderada pelo Togo e pela União Africana, visa corrigir a distorção visual que historicamente superdimensiona Europa e América do Norte em detrimento da África, com 164 votos a favor, seis abstenções e apenas um voto contrário, o dos Estados Unidos.

A decisão da Assembleia-Geral, onde cada Estado-membro possui um voto, destaca a força da articulação multilateral quando os países africanos se unem em torno de uma pauta comum. No entanto, a correção cartográfica não resolve disputas territoriais complexas, como a do Saara Ocidental, que permanece sob ocupação marroquina desde 1991, aguardando um referendo de autodeterminação que nunca se concretizou. Enquanto a Frente Polisário clama pela consulta para a independência, Marrocos, com apoio dos EUA e de Israel, propõe autonomia sob sua soberania. A República Árabe Saaraui Democrática é membro da União Africana, mas a ONU ainda lista o Saara Ocidental como território não autônomo.

A resolução sobre os mapas, embora represente uma vitória simbólica e uma demonstração do poder da Assembleia-Geral, contrasta com a estrutura de poder desigual dentro da própria ONU. No Conselho de Segurança, órgão com poder decisório sobre paz e segurança internacionais, cinco membros permanentes (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia) detêm o poder de veto, enquanto os outros dez assentos são rotativos. Essa assimetria se estende à escolha de cargos importantes, como o Secretário-Geral, cuja candidatura precisa passar pelo filtro do Conselho antes da aprovação formal da Assembleia.

A influência desproporcional de potências globais também se manifesta em relações bilaterais. Um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) revelou pressões americanas sobre o Brasil durante o processo eleitoral, incluindo propostas comerciais que visavam interferir em decisões internas e garantias para a participação de “dissidentes políticos” inelegíveis pela legislação brasileira. A Assembleia Geral da ONU, que inicia seus debates nesta terça-feira (22) em Nova York, volta a ser palco para discursos sobre soberania, direito internacional e multilateralismo, princípios fundadores que coexistem com a concentração de poder em poucos membros.

Tags:

Veja Também

Governo Lula mira cargos do Centrão que apoiaram Bolsonaro

Governo Lula mira cargos do Centrão que apoiaram Bolsonaro

Copiloto da Flydubai Planejou Ataque ao Estilo 11 de Setembro Contra Israel, Diz Procurador

Rússia descarta peste em contatos de funcionária morta por pneumonia

Pacientes com dengue em UTIs do SUS chegam em estado mais grave que na rede privada, aponta estudo

Pacientes com dengue em UTIs do SUS chegam em estado mais grave que na rede privada, aponta estudo

Ovo no Dia Mundial do Alimento: Exagerar na proteína pode ser prejudicial?

Ovo no Dia Mundial do Alimento: Exagerar na proteína pode ser prejudicial?