A Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que incentiva a adoção de um novo mapa-múndi, o Equal Earth, que corrige distorções históricas na representação do tamanho de países e continentes. A mudança, impulsionada pela União Africana, visa dar maior precisão às dimensões da África e de outras regiões próximas à linha do Equador, como o Brasil, que eram significativamente subdimensionadas na tradicional projeção de Mercator.
A votação, ocorrida na sexta-feira (4), representa uma vitória para a campanha “Correct The Map” (Corrijam o mapa), que há um ano busca alertar sobre como a projeção de Mercator, criada no século XVI, pode influenciar a percepção global sobre a importância e o tamanho de diferentes regiões do planeta. Na projeção de Mercator, territórios mais próximos aos polos, como a América do Norte e a Europa, aparecem maiores do que aqueles localizados perto do Equador. Essa distorção faz com que o Brasil, por exemplo, pareça ter uma dimensão similar à do Alasca, quando na verdade é cinco vezes maior.
A representação de Mercator, embora matematicamente útil para a navegação ao permitir traçar rotas retas em um mapa plano, causa distorções significativas. O continente africano, por exemplo, é cerca de 14 vezes maior que a Groenlândia, mas em mapas baseados na projeção de Mercator, ambos parecem ter tamanhos semelhantes. O Brasil, por sua vez, é quase quatro vezes maior que a Groenlândia, mas na projeção antiga, seu tamanho é representado de forma muito menor.
Um mapa justo para um mundo justo
A resolução da ONU, patrocinada pelo Togo e apoiada pela União Africana, foi aprovada com 164 votos a favor, um contra (Estados Unidos) e seis abstenções. O ministro das Relações Exteriores do Togo, Robert Dussey, destacou a importância da mudança, afirmando que “um mundo justo começa com um mapa justo”. Segundo ele, mapas não são neutros e moldam percepções sobre o lugar de povos e continentes no mundo. A iniciativa já conta com o apoio de países como a França, que anunciou a descontinuidade do uso do mapa de Mercator em seus órgãos oficiais.
A impossibilidade matemática de representar uma esfera em uma superfície plana sem distorções é conhecida há séculos. Cartógrafos desenvolvem diferentes projeções dependendo da finalidade. A de Mercator foi idealizada para a navegação, mas seu uso disseminado em aplicações como Google Maps e em materiais educacionais acabou por consolidar uma imagem mental do mundo com proporções equivocadas. A campanha “Correct The Map” argumenta que essa distorção é uma questão de “poder e percepção”, chegando a classificar a projeção de Mercator como “a maior campanha de desinformação”.
A resolução da ONU não impõe a adoção obrigatória do novo mapa, mas sinaliza um movimento global em direção a representações mais precisas e equitativas. A adoção do mapa Equal Earth visa, segundo seus defensores, “corrigir uma representação que distorce o mundo”, promovendo um entendimento mais acurado das dimensões geográficas e, consequentemente, das relações de poder e percepção global.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela BBC News Brasil e pela agência Reuters.
