Três semanas após o duplo terremoto que devastou o norte da Venezuela, o número de mortes confirmadas atingiu 4.734 nesta terça-feira (14). O balanço oficial, divulgado pelo presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, também aponta para 16.740 feridos, a maioria já liberada após atendimento médico. Desde a última segunda-feira, foram registradas mais 173 fatalidades em decorrência dos abalos de magnitude 7,2 e 7,5, ocorridos em 24 de junho e que afetaram principalmente o estado de La Guaira, próximo à capital Caracas.
O desastre, considerado um dos piores da história recente da América Latina, já atingiu mais de 800 edifícios, com 190 deles desabando completamente. Em La Guaira, a área mais afetada, os desabrigados encontraram refúgio em estádios, praças e calçadas, onde voluntários oferecem assistência médica e doações de alimentos. De acordo com dados oficiais, aproximadamente 21 mil pessoas vivem em acampamentos provisórios, enquanto dezenas de famílias ainda buscam por restos mortais de seus entes queridos entre os escombros.
As Nações Unidas estimam que 1,3 milhão de venezuelanos necessitam de ajuda humanitária. A organização mobilizou US$ 300 milhões (aproximadamente R$ 1,5 bilhão) para operações de socorro no país. No entanto, a resposta do governo tem sido alvo de críticas por parte da população, que a considera lenta. A vice-presidente Delcy Rodríguez rejeitou as críticas, atribuindo-as a supostos “laboratórios midiáticos” que tentariam prejudicar o trabalho das equipes de emergência, embora sem apresentar provas.
Risco de epidemias e cooperação internacional
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou, no início de julho, para o risco iminente de disseminação de doenças como cólera, tuberculose, tétano e sarampo. A falta de saneamento básico e água potável nos cerca de 80 abrigos, somada à superlotação e infraestrutura precária, cria um ambiente propício para surtos. A OMS trabalha em conjunto com o Ministério da Saúde venezuelano para conter o avanço de enfermidades respiratórias e intestinais, e avalia a instalação de hospitais de campanha nas regiões mais atingidas.
Apesar das críticas internas, o governo interino dos Estados Unidos, por meio de seu encarregado de negócios em Caracas, John Barrett, afirmou que o governo venezuelano está cooperando com os pedidos de ajuda humanitária. A situação humanitária na Venezuela continua a ser um desafio complexo, com a necessidade de reconstrução e apoio contínuo para os milhares de desabrigados e afetados pelos terremotos.
