Falha em missão de resgate espacial
A missão de resgate de um telescópio da NASA, que já era considerada de alto risco, enfrenta agora sérios obstáculos. A espaçonave Link, construída pela Katalyst Space Technologies para rebocar o Observatório Neil Gehrels Swift para uma órbita mais segura, começou a apresentar falhas críticas logo após se aproximar do seu alvo. A nave, do tamanho de uma geladeira, passou a girar em alta velocidade, completando uma volta a cada 40 segundos, e com problemas em seus sistemas de orientação e propulsão.
O incidente ocorreu no último dia 25, quando a Link estava a poucos quilômetros do telescópio Swift. Engenheiros da Katalyst e da NASA trabalham contra o tempo para desacelerar a rotação da nave e diagnosticar a causa das falhas. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo The New York Times.
O telescópio Swift e a necessidade de resgate
Lançado em 2004, o Observatório Neil Gehrels Swift é fundamental para a observação de explosões de raios gama, fenômenos cósmicos extremamente energéticos. Apesar de ter superado sua vida útil projetada, o telescópio ainda é valioso para a ciência. No entanto, o aumento da atividade solar no final de 2024 causou uma expansão inesperada da atmosfera terrestre, aumentando o arrasto sobre os satélites em órbita baixa.
A NASA identificou o risco iminente de perda do Swift devido a essa força de arrasto e buscou uma solução. A Katalyst Space Technologies venceu o contrato para desenvolver a nave de resgate, a Link, que foi construída em um cronograma apertado de nove meses, o que implicou em uma missão com menos testes do que o usual para projetos da agência espacial.
Problemas técnicos e incertezas
Durante um período de perda de contato, esperado devido ao modelo de baixo custo da missão, a equipe da Katalyst detectou que a Link estava girando descontroladamente. Subsequentemente, verificou-se que duas das três rodas de reação, componentes essenciais para o controle de atitude da nave, pararam de funcionar. Além disso, os propulsores de controle de reação, que utilizam jatos de gás, apresentaram operação inconsistente. Acredita-se que um reinício do sistema elétrico da nave durante o período de silêncio possa ter contribuído para os problemas.
Apesar das falhas, há sinais de esperança. O sistema de propulsão principal, baseado em propulsores elétricos, está funcionando corretamente e está sendo utilizado para tentar desacelerar a rotação da Link. Os sistemas de comunicação e os braços robóticos projetados para capturar o Swift também parecem estar intactos. A equipe ainda não compreende totalmente a origem do problema, mas espera obter mais dados assim que a rotação da nave diminuir.
A corrida contra o tempo
Apesar do contratempo, a missão de resgate ainda pode ser viável. O telescópio Swift está a pouco mais de 320 quilômetros da Terra e perde altitude a uma taxa de aproximadamente 2,4 quilômetros por semana, um ritmo que deve acelerar à medida que se aproxima de camadas mais densas da atmosfera. Os engenheiros estimam que o encontro entre a Link e o Swift, originalmente previsto para o final de julho, foi adiado para o final de agosto, permitindo que a nave de resgate realize observações antes de tentar a captura.
Apesar dos desafios, a confiança na conclusão da missão persiste. “Por isso, estamos tão confiantes de que isso não acabou. Não vamos desistir”, afirmou Ghonhee Lee, diretor-executivo da Katalyst. A NASA também reconhece a complexidade e o pioneirismo da missão, mas ressalta que “valia a pena tentar”.
