Mulher que viveu 73 anos com pulmão de aço desafia limitações e inspira legado de resiliência
Mulher que viveu 73 anos com pulmão de aço desafia limitações e inspira legado de resiliência

Mulher que viveu 73 anos com pulmão de aço desafia limitações e inspira legado de resiliência

A extraordinária vida de Martha Lillard, que sobreviveu por décadas com um pulmão de aço, é um testemunho de força e adaptação. Martha Lillard, conhecida por ser a última paciente nos Estados Unidos a utilizar um pulmão de aço devido à poliomielite, faleceu aos 78 anos. Sua irmã, Cindy McVey, relatou à BBC que Martha […]

Resumo

A extraordinária vida de Martha Lillard, que sobreviveu por décadas com um pulmão de aço, é um testemunho de força e adaptação.

Martha Lillard, conhecida por ser a última paciente nos Estados Unidos a utilizar um pulmão de aço devido à poliomielite, faleceu aos 78 anos. Sua irmã, Cindy McVey, relatou à BBC que Martha nunca permitiu que a condição a impedisse de viver plenamente. Mesmo com o grande dispositivo metálico, que envolveu seu corpo por horas diárias durante a maior parte de sua vida, ela dirigiu, dedicou-se à pintura e cuidou de seus amados cães da raça beagle.

“Martha era resiliente. Ela encontrava um jeito ou dava um jeito”, afirmou sua irmã mais nova. Martha faleceu em 26 de junho, em Oklahoma. Embora a causa oficial tenha sido registrada como síndrome pós-pólio e insuficiência pulmonar crônica, McVey acredita que os efeitos da Covid de longa duração também contribuíram para sua morte. O pulmão de aço, um aparelho que utiliza um sistema de pressão negativa acionado por motor, permitiu que Martha sobrevivesse por cerca de 73 anos.

Um Aparelho de Sobrevivência e Independência

O funcionamento do pulmão de aço consiste em um fole que, ao ser acionado pelo motor, extrai o ar do cilindro, criando um vácuo. Esse vácuo força os pulmões do paciente a se expandirem, inalando ar. Quando o ar é readmitido no cilindro, o processo inverso ocorre, esvaziando os pulmões.

Na década de 1950, dezenas de milhares de pessoas dependiam desse aparelho para sobreviver após o pico da poliomielite. Ao contrário de algumas crianças que temiam a máquina, Martha não demonstrava medo. “Ela a recarregava e a fazia se sentir melhor”, recorda Cindy McVey. Diagnosticada em meados da década de 1950, Martha, então com cinco anos, já estava ciente da doença e de suas implicações, tendo ouvido falar muito sobre ela. Ela relatou ter acordado um dia sem conseguir levantar a cabeça do travesseiro, sabendo imediatamente que havia contraído pólio.

Superando Barreiras com Apoio Familiar

Após um período de internação, Martha e sua família focaram na recuperação, com Martha passando por fisioterapia, terapia ocupacional e hidroterapia para preservar o máximo de força possível. Ela recuperou o uso parcial do braço esquerdo e o movimento das pernas. O empenho da família em garantir que Martha vivesse uma vida normal foi notável. O tio e o avô de Martha criaram um mecanismo que permitia que ela abrisse o pulmão de aço sozinha, possibilitando que vivesse independentemente e entrasse e saísse do equipamento por conta própria.

“Ela conseguia fazer coisas que a maioria dos pacientes que usam pulmão de aço não conseguia”, disse McVey. Um veículo foi adaptado para que Martha pudesse dirigir, com o volante posicionado sobre seu colo e as setas no assoalho, acessíveis a ela, apesar da mobilidade limitada nos braços. Martha era descrita como uma artista e intelectual, pintando paisagens detalhadas e interagindo com seu dispositivo Alexa para satisfazer sua curiosidade. Nos últimos 20 anos, ela compartilhou sua vida com Baha Salh, que se mudou do Egito para os Estados Unidos e se casou com Martha em fevereiro deste ano.

O Legado da Vacinação contra a Pólio

A poliomielite, que afetava principalmente crianças, causou estragos no final do século XIX e início do século XX, resultando em mortes e sequelas para inúmeras crianças. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada 200 infecções por pólio leva à paralisia irreversível, e entre os paralisados, de 5% a 10% morrem devido à imobilização da musculatura respiratória.

A vacina contra a poliomielite tornou-se disponível a partir de 1955. Nos EUA, a doença foi declarada eliminada em 1979, graças a uma campanha nacional de vacinação. No entanto, a preocupação com a hesitação vacinal tem aumentado, com algumas autoridades de saúde sugerindo que vacinas se tornem opcionais. O presidente do Comitê Consultivo sobre Práticas de Imunização dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Kirk Milhoan, chegou a sugerir que a vacina contra a pólio deveria ser opcional, argumentando que as condições de saneamento e o risco da doença mudaram.

Essa visão preocupa Cindy McVey profundamente. “A poliomielite é terrível”, ela afirma com emoção. “A doença causa deformações e invalidez, deixando as pessoas aprisionadas. Tínhamos a situação sob controle aqui e, agora, há todas essas pessoas que não estão vacinando seus filhos.” McVey teme que a memória da gravidade da pólio tenha se desvanecido, levando as pessoas a subestimar os riscos. “As pessoas podem achar que existem problemas com a vacina, mas há problemas muito maiores se não se vacinarem”, alertou. Martha contraiu poliomielite no ano anterior ao lançamento da vacina, um lembrete da linha tênue que separava a doença da prevenção.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela BBC.

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