Mendonça usa precedentes de Moraes em crítica a atuações da PF e de inteligência
Mendonça usa precedentes de Moraes em crítica a atuações da PF e de inteligência

Mendonça usa precedentes de Moraes em crítica a atuações da PF e de inteligência

Em uma decisão que gerou repercussão no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça baseou sua argumentação para afastar diretores da Polícia Federal (PF) em decisões anteriores do ministro Alexandre de Moraes. Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, argumentando que o monitoramento […]

Resumo

Em uma decisão que gerou repercussão no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça baseou sua argumentação para afastar diretores da Polícia Federal (PF) em decisões anteriores do ministro Alexandre de Moraes. Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, argumentando que o monitoramento realizado pela inteligência da corporação foi ilegal. Ele criticou a elaboração de relatórios que, segundo ele, buscavam inferir motivações pessoais e políticas em suas próprias decisões e na atuação de outras autoridades.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo STF e pela imprensa.

Precedentes citados contra vigilância e por afastamento cautelar

Um dos principais argumentos de Mendonça foi a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 722. Nesta ação, o STF considerou inconstitucional a vigilância de servidores pelo governo de Jair Bolsonaro para identificar integrantes do “movimento antifascismo”. Na época, André Mendonça chefiava o Ministério da Justiça e Segurança Pública, pasta responsável pelo dossiê em questão. O ministro reproduziu em sua decisão uma notícia do próprio STF sobre o julgamento, destacando uma declaração de Alexandre de Moraes: “Não é permitido a nenhum órgão bisbilhotar, fichar ou estabelecer classificação de qualquer cidadão e enviá-los para outros órgãos. […] Relatórios de inteligência não podem ser utilizados para punir, mas para orientar ações relacionadas à segurança pública e do Estado”.

Mendonça também invocou uma liminar de Moraes, posteriormente referendada pelo Plenário do STF, que afastou o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, por indícios de omissão nos atos de 8 de janeiro de 2023. O objetivo foi reforçar que a relevância pública de um cargo não impede o afastamento cautelar em situações excepcionais e justificadas.

Outro precedente citado foi o afastamento do então presidente do Ibama, Eduardo Bim, por 90 dias em maio de 2021, também por decisão de Moraes. A medida ocorreu no contexto da operação Akuanduba, que investigava um suposto esquema de exportação ilegal e contrabando de madeira. Mendonça ainda mencionou uma decisão de Flávio Dino, que afastou Daniel Brandão do cargo de presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) sob suspeita de desvio de recursos públicos.

Ministro aponta para a importância da autonomia dos poderes

Além de Moraes, Mendonça buscou amparo no entendimento do ministro Edson Fachin, que afirmou: “A administração pública não tem, nem pode ter, o pretenso direito de listar inimigos do regime. Só em governos autoritários é que se pode cogitar dessas circunstâncias”. Mendonça também recorreu a uma decisão do Plenário que referendou liminar de Teori Zavascki, afastando Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados. Na ocasião, o Tribunal entendeu a medida como necessária para impedir interferências em investigações criminais, destacando que a autonomia dos poderes não é ilimitada e todos estão submetidos à Constituição.

Referência a George Orwell e à necessidade de respeito ao regime democrático

Em sua argumentação, Mendonça fez uma alusão literária, comparando a situação descrita na decisão aos cenários distópicos de “1984”, de George Orwell. O ministro comparou a vigilância constante e o controle de informações promovidos pelo regime totalitário na obra à produção de relatórios de inteligência pela PF, à ciência prévia de Alexandre de Moraes e à posterior divulgação do material, classificando o conjunto como de “extrema gravidade”. O acórdão da decisão ressaltou que “As atividades de inteligência, portanto, devem respeitar o regime democrático, no qual não se admite a perseguição de opositores e aparelhamento político do Estado”.

O caso agora segue para manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e dos ministros citados, com prazo de cinco dias. A ministra Cármen Lúcia, relatora de outro procedimento relacionado à credibilidade do STF e à proposta de código de ética, é vista como peça-chave na definição de votos, com alas já mapeadas no tribunal.

Tags:

Veja Também

Secretário de Saúde dos EUA Lança Iniciativa para Investigar Efeitos Pós-Vacinação

Secretário de Saúde dos EUA Lança Iniciativa para Investigar Efeitos Pós-Vacinação

Autoridades investigam suposto repasse milionário em dinheiro vivo para documentário de Lula

Autoridades investigam suposto repasse milionário em dinheiro vivo para documentário de Lula

Justiça de AL condena Soraya Thronicke a indenizar Alfredo Gaspar por falsa acusação de estupro

Justiça de AL condena Soraya Thronicke a indenizar Alfredo Gaspar por falsa acusação de estupro

ONU alerta para riscos de neurotecnologia à liberdade de pensamento e privacidade

ONU alerta para riscos de neurotecnologia à liberdade de pensamento e privacidade

São Paulo amplia teste do pezinho para rastrear Atrofia Muscular Espinhal (AME) no SUS