Marmotas em apuros: Cientistas recorrem ao OnlyFans para financiar pesquisas
Marmotas em apuros: Cientistas recorrem ao OnlyFans para financiar pesquisas

Marmotas em apuros: Cientistas recorrem ao OnlyFans para financiar pesquisas

Cientistas buscam nova fonte de financiamento para estudos de marmotas Em um cenário de cortes no financiamento para pesquisa científica nos Estados Unidos, um grupo de biólogos da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) encontrou uma solução criativa e inusitada para garantir a continuidade de seus estudos sobre marmotas: o lançamento de um perfil […]

Resumo

Cientistas buscam nova fonte de financiamento para estudos de marmotas

Em um cenário de cortes no financiamento para pesquisa científica nos Estados Unidos, um grupo de biólogos da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) encontrou uma solução criativa e inusitada para garantir a continuidade de seus estudos sobre marmotas: o lançamento de um perfil na plataforma OnlyFans. A iniciativa, batizada informalmente de “OnlyMarms”, visa arrecadar fundos para a pesquisa de campo, que investiga o comportamento e as linhagens desses roedores para entender sua adaptação às mudanças ambientais.

A ideia surgiu em junho, quando o biólogo Daniel Blumstein, professor da UCLA, lamentava a falta de apoio financeiro para seu trabalho enquanto observava marmotas em um campo no Colorado. Inspirado pela série de TV “Margo está em Apuros”, onde uma mãe solteira recorre ao OnlyFans para se sustentar, Blumstein propôs a mesma abordagem para a ciência. A proposta gerou reações diversas entre seus colegas, mas a ideia de um perfil “para todas as idades” e sem conotação sexual, focado em compartilhar o cotidiano das marmotas, ganhou força.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo The New York Times.

Conteúdo diferente para um público inesperado

O perfil “OnlyMarms” apresenta vídeos de marmotas selvagens em seu habitat natural, escavando tocas, correndo e interagindo. As assinaturas são gratuitas, mas os pesquisadores incentivam doações através de gorjetas. Todo o valor arrecadado é destinado ao financiamento dos estudos de campo, que acompanham o comportamento e as linhagens das marmotas desde 1962 no Laboratório Biológico das Montanhas Rochosas, em Crested Butte, Colorado. Os pesquisadores buscam entender como mamíferos reagem a alterações no ambiente, um conhecimento considerado inestimável para compreender a evolução tanto de animais quanto de humanos.

A criação da conta não foi isenta de desafios. Blumstein precisou comprovar sua identidade, e a plataforma inicialmente detectou uma discrepância entre sua foto de motorista e as imagens dos vídeos, que mostram o biólogo em ação com as marmotas. Um rápido esclarecimento foi suficiente para resolver a questão. A divulgação da página tem sido feita principalmente pelo Instagram, com a promessa de “conteúdo de marmotas sem censura”.

Desafios financeiros e otimismo cauteloso

Até o momento, a iniciativa gerou cerca de US$ 650 (aproximadamente R$ 3.300) em gorjetas, com aproximadamente 2.900 visitas e 112 assinantes. Embora a quantia esteja distante do necessário para manter a pesquisa em larga escala, a equipe demonstra otimismo. Emily Renkey, integrante da equipe de pesquisa, destaca que a maioria das doações gira em torno de US$ 10, o que, segundo ela, indica um interesse genuíno e crescente no trabalho desenvolvido.

Antes de recorrer ao OnlyFans, a equipe tentou obter financiamento de diversas instituições, sem sucesso significativo. Blumstein ressalta que pesquisas de longa duração como a deles são raras e fundamentais, mas os recursos próprios e bolsas remanescentes já não são suficientes. Ele expressa preocupação com o futuro da pesquisa científica, especialmente com a reestruturação do apoio a cientistas nos EUA, que tem priorizado áreas como inteligência artificial e robótica em detrimento de “ciências da vida”.

Blumstein admite que o “OnlyMarms” dificilmente arrecadará as dezenas de milhares de dólares necessários para financiar pesquisas mais complexas. Ele lamenta o tempo investido na plataforma, que poderia ser dedicado a escrever artigos ou trabalhar diretamente com estudantes, mas considera a iniciativa uma forma de manter o trabalho vivo enquanto busca soluções mais sustentáveis para o financiamento científico.

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