Brasileiros saem às ruas em 7 de Setembro para pedir impeachment de Alexandre de Moraes
Diversas capitais brasileiras foram palco de manifestações nesta segunda-feira, 7 de Setembro de 2026, com cidadãos exigindo o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Liderados por figuras proeminentes da direita, como Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia, os protestos visam pressionar o Senado Federal, especialmente após a divulgação de novos relatórios da Polícia Federal que levantam questionamentos sobre a atuação do magistrado.
O cerne das mobilizações reside no pedido de impeachment, impulsionado por informações recuperadas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no âmbito do caso Master. Tais dados trouxeram à tona mensagens e documentos que, segundo os organizadores, indicam potenciais conflitos de interesse e o uso indevido da influência institucional por parte de Moraes. Os atos buscam demonstrar a força da pauta pela saída do ministro na sociedade e clamar por uma resposta do Congresso Nacional.
Organização e Alcance dos Protestos
Em São Paulo, a Avenida Paulista concentrou o principal ato, reunindo governadores, prefeitos e parlamentares alinhados à causa. Em Brasília, a estratégia foi dividir a mobilização em dois pontos distintos para evitar interferências no desfile cívico oficial: um evento em frente ao Banco Central, com foco em candidaturas ao Senado, e outro no estacionamento da Funarte, direcionado especificamente contra o ministro e o governo federal.
Além do eixo Rio-São Paulo e Brasília, as manifestações se estenderam a outras 15 capitais, incluindo Rio de Janeiro, Curitiba e cidades do Nordeste. As lideranças locais divulgaram horários específicos para os eventos em cada cidade, ampliando o alcance nacional da mobilização.
O Papel do Senado e os Obstáculos ao Impeachment
O Senado Federal é o órgão constitucionalmente responsável por analisar e julgar pedidos de impeachment contra ministros do STF. Para que um pedido seja aprovado, é necessária a aprovação de dois terços da Casa, totalizando 54 votos entre os 81 senadores. A pressão popular recai particularmente sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que detém o poder de pautar ou não esses processos.
Especialistas apontam que, embora as manifestações nas ruas não determinem o rito processual isoladamente, elas funcionam como um importante termômetro político. Atos massivos aumentam o custo político para o Senado em ignorar a demanda, forçando os parlamentares a reconsiderarem sua neutralidade. Contudo, existem barreiras significativas para o avanço rápido de um processo de impeachment. Além da alta exigência de votos, o calendário eleitoral apertado reduz o tempo disponível para votações complexas no Congresso. A disputa pela Presidência do Senado em 2027 também é um fator, com lideranças buscando evitar posicionamentos drásticos que possam comprometer alianças futuras antes da definição da nova composição do Legislativo. Assim, embora a pressão seja intensa, uma mudança institucional imediata permanece incerta no curto prazo.
As informações foram reunidas a partir de dados apurados pela equipe de reportagem.
