Decisão unânime impede magistrado de acessar sistemas e fóruns do Judiciário mineiro.
O juiz Milton Salles, que foi afastado cautelarmente de suas funções após ser flagrado bebendo vinho diretamente do gargalo e acendendo um cigarro durante uma sessão virtual, teve a punição confirmada nesta terça-feira (11). A decisão unânime foi proferida tanto pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) quanto pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
As medidas impostas ao magistrado incluem a suspensão imediata de suas credenciais e permissões de acesso aos sistemas judiciais e administrativos do TJ-MG e do CNJ. Salles poderá acompanhar processos apenas na condição de cidadão comum. Além disso, ele está impedido de ingressar nas dependências dos fóruns, prédios administrativos e demais instalações da Corte para fins funcionais, bem como de utilizar veículos oficiais durante o período de afastamento.
A Corregedoria-Geral de Justiça informou que acompanha o caso e já instaurou um processo administrativo sigiloso desde a última segunda-feira. A conduta de um magistrado deve, segundo as regras da magistratura, manter uma chamada “conduta ilibada na vida pessoal”.
Magistrado critica autoridades após afastamento
Em resposta à repercussão do caso e ao seu afastamento, Milton Salles publicou um vídeo nas redes sociais em que tece duras críticas a autoridades do Judiciário, incluindo o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, além de membros de outros tribunais federais e locais. O juiz, que soma 36 anos de magistratura, declarou-se cansado e afirmou ser vítima de difamação.
“Meu nome é Milton Livio Salles, tenho 36 anos de magistratura e quero deixar um depoimento sobre essa difamação que estão fazendo contra mim. Esse Tribunal de Justiça de Minas Gerais, esse STJ, o STF, o Alexandre de Moraes, são todos uns corruptos. Falo isso com conhecimento de causa. Olha, estou cansado, muito cansado”, desabafou Salles no vídeo. Ele também desafiou quem quisesse “bater de frente com ele” a ocupar um espaço público para debate, sugerindo como local o Jornal Nacional.
Até o momento, nenhuma das autoridades citadas pelo magistrado comentou publicamente o caso ou retornou os contatos da reportagem.
