Primeira-dama rebate acusações de gastos excessivos em viagens internacionais
Rosângela Lula da Silva, a Janja, primeira-dama do Brasil, classificou nesta segunda-feira (13) as críticas sobre seus gastos em viagens internacionais como uma “estratégia da extrema-direita” e “misoginia pura”. Em entrevista ao programa Frente a Frente, do portal UOL em parceria com a Folha de S.Paulo, ela argumentou que suas escolhas de hospedagem e transporte, como a permanência em embaixadas e a opção por viajar em cabine executiva, são motivadas por questões de segurança e por regramentos específicos de sua função.
“É mais fácil me atingir para atingir o presidente da República. (…) Procuro me hospedar nas embaixadas, primeiro por questão de segurança; o trânsito e a logística são mais tranquilos. Viajo de Executiva por questão de segurança; não viajo de econômica por alguns regramentos que tenho de seguir”, explicou Janja. Ela também mencionou que a sociedade e a imprensa nacional não estavam habituadas a uma primeira-dama com uma agenda de trabalho ativa, frequentando o Planalto diariamente e cumprindo compromissos oficiais.
As declarações foram dadas em resposta a questionamentos sobre a adequação de um cargo formal para a primeira-dama, ao que Janja respondeu enfatizando seu trabalho contínuo e agenda intensa. Ela reiterou que busca maior visibilidade em veículos internacionais em comparação com a imprensa nacional, que, segundo ela, a procura menos.
Foco no combate à violência contra a mulher e à fome
Janja destacou que as críticas não a abalam, pois se sente motivada pela pauta do combate à violência contra a mulher e à fome, que considera pontos centrais de sua atuação. Ela também aproveitou para prestar solidariedade à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro diante de supostos ataques misóginos e defendeu o PL da Misoginia.
“A questão da violência contra a mulher, a misoginia, ela não tem lado”, afirmou Janja, ressaltando a universalidade do enfrentamento a essas questões. Ela relembrou sua participação em momentos decisivos do governo, citando como exemplo uma foto sua com a ex-ministra Anielle Franco que teria precedido a decisão de demitir o então ministro Silvio Almeida dos Direitos Humanos.
Superação de assédio e atuação política
Em outro ponto da entrevista, Janja relatou ter sido vítima de assédio sexual durante o exercício de seu papel como primeira-dama, embora não tenha fornecido detalhes sobre o ocorrido. Ela afirmou que “muita gente questionou” a situação, mas que em momentos como esse é preciso oferecer apoio, “dar a mão”. A primeira-dama reiterou seu compromisso com a luta feminista e a necessidade de combater a misoginia em todas as esferas.
A entrevista abordou ainda a percepção de Janja sobre a falta de reconhecimento de seu trabalho. Ela argumentou que a sociedade e a imprensa brasileira ainda não se acostumaram com o modelo de primeira-dama que ela representa, com uma agenda de reuniões e viagens de trabalho frequentes. A primeira-dama ressaltou que sua atuação visa ir além do papel cerimonial, buscando impactar políticas públicas e promover causas importantes para o governo.
