Investigação da Lava Jato sobre Eduardo Cunha em Furnas vai para Mendonça no STF
Investigação da Lava Jato sobre Eduardo Cunha em Furnas vai para Mendonça no STF

Investigação da Lava Jato sobre Eduardo Cunha em Furnas vai para Mendonça no STF

Investigação sobre Eduardo Cunha e Furnas é remetida ao STF Uma investigação originada na Operação Lava Jato, que apura suposto recebimento de propina pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos) em contratos com a Furnas Centrais Elétricas, foi distribuída nesta quinta-feira (17) ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. As apurações […]

Resumo

Investigação sobre Eduardo Cunha e Furnas é remetida ao STF

Uma investigação originada na Operação Lava Jato, que apura suposto recebimento de propina pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos) em contratos com a Furnas Centrais Elétricas, foi distribuída nesta quinta-feira (17) ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. As apurações indicam que Cunha seria o destinatário final de valores desviados em um esquema envolvendo a estatal.

As informações foram reunidas a partir de declarações premiadas e acordos de leniência que vieram a público.

Detalhes da Delação e Acusações

De acordo com a delação premiada do doleiro Lúcio Funaro, o lobista Benjamin Katz teria negociado e recebido propina, que seria posteriormente repassada a Eduardo Cunha para distribuição entre seu grupo político. Funaro também relatou que a empresa Engevix Engenharia sofreu retaliações por não ter atendido a exigências financeiras, levando o então parlamentar a atuar contra os interesses da companhia em suas áreas de influência. A Engevix possuía contratos que somavam R$ 177 milhões com Furnas.

Em uma proposta de delação de 2016, um empreiteiro, então sócio da Engevix, afirmou que a empresa teria obtido novos negócios com Furnas após pagar R$ 1 milhão a Cunha e R$ 2,5 milhões ao Partido Liberal (PL), à época chamado de PR. A Engevix, em nota, informou que as informações se baseiam em vazamentos de propostas discutidas e que a colaboração efetivamente firmada não contemplou tais temas, os quais foram abordados no acordo de leniência do Grupo Nova Participações em 2019. A empresa destacou ainda um processo de reestruturação com foco em compliance.

Origem e Tramitação do Caso

As suspeitas sobre a atuação de Cunha e Katz em relação a Furnas levaram a força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro a instaurar uma nova frente de investigação em 2019. No entanto, em julho de 2022, o procurador Rodrigo Golívio Pereira declinou da investigação, argumentando que, por envolver Furnas, uma sociedade de economia mista, não haveria interesse da União que justificasse a competência da Justiça Federal. O caso foi, então, encaminhado ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

Posteriormente, em maio de 2026, o juiz Renan de Freitas Ongaratto analisou a questão sob a ótica do novo entendimento do STF sobre foro privilegiado. Como os fatos atribuídos a Cunha teriam ocorrido durante o exercício de seu mandato como deputado federal, o magistrado declinou da competência e determinou a remessa do caso ao STF. A Corte recebeu os autos em 28 de agosto.

Contexto e Próximos Passos

O caso se insere em um contexto de diversas anulações de provas e decisões judiciais em processos derivados da Lava Jato pelo STF nos últimos anos. Em 2021, a Corte anulou condenações de Luiz Inácio Lula da Silva e confirmou a suspeição do então juiz Sergio Moro no processo do triplex. Em 2023, o ministro Dias Toffoli declarou imprestáveis provas obtidas de sistemas usados no acordo de leniência da Odebrecht.

A defesa de Eduardo Cunha foi contatada e negou veementemente as acusações em ocasiões anteriores, desafiando provas. Não foi possível obter contato com Benjamin Katz. O espaço permanece aberto para manifestação de ambos.

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