O Brasil amarga um prejuízo anual de R$ 284 bilhões devido à infraestrutura deficiente, um entrave que limita a produtividade e a competitividade do país. A combinação de rodovias em mau estado e portos congestionados eleva os custos logísticos, atuando como um imposto adicional que freia o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em setores cruciais como a indústria e a energia.
A precariedade da infraestrutura nacional impõe um encarecimento significativo às operações logísticas ‘da porteira para fora’. Isso se traduz em despesas elevadas com transporte e armazenamento, que funcionam como um tributo extra sobre a produção. Em segmentos como o de materiais de construção e óleo e gás, o custo do frete pode chegar a consumir até 14% das receitas, comprometendo severamente a capacidade das empresas de competir no mercado global.
Para reverter esse quadro e alcançar um patamar de crescimento ideal, o Brasil precisaria destinar anualmente cerca de 4,65% de seu PIB à infraestrutura ao longo das próximas duas décadas. Contudo, as projeções para 2024 indicam aportes de apenas 2,27% do PIB. Além do volume aquém do necessário, a maior parte desses recursos é direcionada para a manutenção e reposição de estruturas existentes, em vez de focar na expansão da rede de serviços.
Principais gargalos e desafios setoriais
O setor de transportes brasileiro ainda demonstra uma dependência excessiva das rodovias, que absorvem mais da metade dos investimentos. O grande problema reside na gestão pública de grande parte da malha pavimentada, que frequentemente apresenta condições precárias, elevando os gastos com combustível e manutenção. Paralelamente, o desenvolvimento do transporte hidroviário e ferroviário esbarra na escassez de verbas e na inviabilidade de projetos.
No setor elétrico, apesar de liderar a atração de capital, as tarifas sofrem com o encarecimento devido a falhas na transmissão. Já o saneamento básico, impulsionado por novas legislações que facilitam privatizações, enfrenta o desafio de expandir seus serviços para além do tratamento de esgoto, englobando a erradicação de lixões e a construção de galerias pluviais para mitigar os impactos de enchentes que paralisam a economia urbana.
Investimento privado e insegurança jurídica
A chegada de investimentos privados em larga escala é barrada, principalmente, pela insegurança jurídica e pela interferência política em agências reguladoras. Para que investidores aportem o capital necessário, é fundamental a estabilidade nos contratos e a agilidade do Judiciário em revisões decisórias. Diante de um cenário de endividamento público, a saída para o Brasil passa, necessariamente, por parcerias com a iniciativa privada para impulsionar o desenvolvimento e superar a estagnação econômica.
As informações foram reunidas a partir de dados apurados pela equipe de reportagem da Gazeta do Povo.
