Empresas brasileiras intensificam movimento de expansão para o Paraguai
Grandes nomes do empresariado brasileiro, como Havan, Lupo e JBS, têm direcionado suas operações e investimentos para o Paraguai. Essa migração estratégica é impulsionada principalmente pela busca por uma carga tributária mais baixa e custos operacionais reduzidos, contrastando com o cenário brasileiro. O país vizinho se apresenta como um polo atrativo para negócios, oferecendo incentivos fiscais que visam fomentar a competitividade e a exportação.
O fenômeno não se restringe apenas ao ambiente corporativo, mas também reflete um aumento expressivo no número de brasileiros que buscam novas oportunidades e um custo de vida mais acessível no Paraguai. A convergência de fatores econômicos e sociais tem solidificado o país como um destino cada vez mais procurado por empreendedores e cidadãos em busca de um futuro promissor.
As informações foram reunidas a partir de dados apurados pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo.
Vantagens Tributárias e Lei de Maquila Atraem Investidores
O Paraguai se destaca por seu modelo tributário conhecido como ’10-10-10′, que estabelece alíquotas máximas de 10% tanto para o Imposto de Renda de pessoas físicas e jurídicas quanto para o Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Esse regime simplificado e com taxas reduzidas é um dos principais chamarizes para empresas que buscam otimizar sua estrutura de custos.
Um atrativo adicional é a Lei de Maquila, voltada especificamente para indústrias com foco em exportação. Sob essa lei, as empresas pagam um imposto único de apenas 1% sobre o valor agregado em território paraguaio, além de gozarem de isenções sobre dividendos e sobre a importação de maquinário essencial para a produção. Esses benefícios criam um ambiente altamente competitivo para empresas que visam mercados internacionais.
Custo Trabalhista Reduzido em Comparação ao Brasil
Embora o salário mínimo paraguaio possa ser nominalmente superior ao brasileiro, o custo total para os empregadores no Paraguai é significativamente menor. Os encargos trabalhistas no país vizinho variam entre 25% e 35% sobre o salário, enquanto no Brasil esses encargos podem chegar a 100% do valor bruto. A ausência de recolhimentos como FGTS, PIS/Pasep e contribuições ao Sistema S, além da não aplicação do adicional de 1/3 sobre as férias, contribuem para essa diferença substancial.
Setores e Empresas Lideram a Migração para o Paraguai
O setor têxtil é um dos pioneiros nessa tendência de migração, com empresas renomadas como Lupo, Döhler e Karsten já estabelecendo ou expandindo suas operações no Paraguai. No segmento de calçados, marcas como Dass e Kidy também operam no país. Mais recentemente, a gigante do agronegócio JBS anunciou um investimento de US$ 70 milhões para retornar suas operações ao Paraguai, sinalizando a força da atratividade do país.
O setor de varejo também começa a se movimentar, com a possibilidade de a rede Havan, de Luciano Hang, estudar a abertura de sua primeira unidade na região metropolitana de Assunção, indicando uma diversificação dos setores interessados em se beneficiar do ambiente de negócios paraguaio.
Crescimento de Brasileiros no Paraguai e Oportunidades de Investimento
O número de cidadãos brasileiros residindo no Paraguai tem apresentado um crescimento notável. No primeiro semestre de 2026, o Brasil liderou 76% dos pedidos de residência no país. Essa tendência é atribuída não apenas a empresários, mas também a profissionais liberais e investidores que buscam estabilidade econômica, segurança e um menor custo de vida.
O mercado imobiliário paraguaio também tem se aquecido, com investidores brasileiros respondendo por 60% dos pedidos de residência voltados para o setor. Esse cenário demonstra um interesse multifacetado dos brasileiros pelo Paraguai, tanto no âmbito empresarial quanto no pessoal e de investimento.
