Operações aéreas de combate a incêndios no Amazonas foram suspensas neste sábado (17) devido à fumaça intensa gerada pelos focos de calor na região. A visibilidade reduzida nos aeroportos de Manaus comprometeu a segurança dos voos, impossibilitando a atuação de aviões e helicópteros essenciais para o controle das chamas. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aguarda melhores condições climáticas para retomar as atividades.
A força-tarefa conta com um arsenal de 11 aeronaves, incluindo seis aviões Air Tractor, um da Defesa Civil estadual, um cargueiro KC-390 e três helicópteros. Os Air Tractor são especializados em lançamentos rápidos de água diretamente sobre as chamas, enquanto o KC-390 atua no transporte de grandes volumes para áreas mais extensas. Os helicópteros complementam o trabalho com descargas de água e apoio logístico aos cerca de 250 brigadistas que atuam em terra.
Desde o início da temporada de incêndios, o Ibama informou ter extinguido 292 focos no estado e segue empenhado no combate a outros oito incêndios ainda ativos. A situação é agravada pelo aumento expressivo no número de focos de incêndio: entre 1º de janeiro e 12 de outubro deste ano, o Amazonas registrou 7.815 focos, um aumento de 116% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Diante da crise, o governo federal reconheceu situação de emergência em 36 municípios amazonenses há uma semana, mobilizando recursos aéreos e terrestres adicionais.
Qualidade do ar e suspeitas de ação criminosa
A fumaça dos incêndios não afeta apenas as operações de combate, mas também deteriora severamente a qualidade do ar em áreas distantes das chamas. Em Manaus, a concentração de material particulado fino (MP2,5) atingiu níveis classificados como “pessímos” pela prefeitura. O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, sobrevoou áreas afetadas e indicou a possibilidade de ação humana intencional. Incêndios que se iniciam diretamente no interior da floresta, e não em pastagens, podem sugerir o uso deliberado do fogo para degradação da vegetação e facilitação do desmatamento futuro, embora as investigações estejam em andamento.
Debate político sobre o desmatamento
A crise ambiental no Amazonas também gerou um embate político. A ex-ministra Marina Silva criticou declarações do senador Flávio Bolsonaro sobre o desmatamento na Amazônia, chamando-o de “incompetente” e “ignorante”. Silva contestou a afirmação de Bolsonaro de que o governo Lula registra recordes de destruição ambiental, citando dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que, segundo ela, apontam para a menor taxa de desmatamento da série histórica na região.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
