Ministro do STF rebate denúncia sobre uso de carro oficial
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, negou neste domingo (16) ter utilizado carros oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) em atividades particulares. Em uma postagem no Instagram, Dino compartilhou um frame de um vídeo onde aparece ao lado de uma SUV em uma praia, afirmando que as imagens são antigas e o veículo, particular. Ele destacou que o vídeo é de maio de 2023, anterior à sua posse no STF em 2024.
A manifestação de Dino ocorre em resposta a uma denúncia jornalística divulgada em novembro de 2025, que apontava o uso de um Toyota SW4 blindado, pertencente ao TJ-MA, por familiares do ministro em atividades privadas, incluindo passeios à praia em São Luís. O ministro classificou a situação como parte de uma “indústria criminosa de fake news e manipulações”, que, segundo ele, gera mais ódio e ataques, criando um ciclo vicioso de insegurança.
As informações foram reunidas a partir de publicações do portal Metrópoles e do blog do jornalista Luís Pablo.
Investigação e pressões sobre a fonte
A polêmica ganhou contornos de investigação judicial após a denúncia. Em março de 2026, a Polícia Federal (PF), por determinação do ministro Alexandre de Moraes, cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do jornalista Luís Pablo. Computadores e celulares de trabalho foram apreendidos sob a alegação de investigar o crime de perseguição (stalking), argumentando que a divulgação das fotos do carro oficial teria abalado a tranquilidade e a segurança de Dino.
A investigação se aprofundou em agosto de 2026, quando Moraes autorizou buscas contra a fonte do repórter. Através da análise de mensagens em celulares apreendidos, a PF identificou como informante o ex-secretário de Segurança do Maranhão, Raimundo Cutrim. Dispositivos eletrônicos de Cutrim foram confiscados em uma nova operação, o que gerou críticas de entidades e juristas, que consideraram a ação uma quebra indireta do sigilo da fonte.
Repúdio e defesa do sigilo da fonte
As operações desencadeadas repercutiram negativamente em entidades de imprensa nacionais e internacionais. A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) classificou as ações como “uma grave ameaça” ao jornalismo no Brasil, enquanto a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) condenou a violação da proteção à fonte.
Alexandre de Moraes defendeu as operações, argumentando que o sigilo de fonte não pode ser usado para encobrir crimes. Por outro lado, o presidente do STF, Edson Fachin, manifestou solidariedade a Dino e reafirmou a defesa da liberdade de imprensa. Posteriormente, sob pressão, Dino determinou o levantamento do sigilo da investigação, buscando demonstrar a complexidade do processo que agora será analisado colegiadamente pela Corte.
Controvérsias e conflito de interesses
A investigação aponta para a hipótese de monitoramento clandestino com fins de desgaste político, com menção a um repasse de R$ 100 mil ao jornalista, que seria destinado a um terceiro. A PF sugere que Raimundo Cutrim teria fornecido suporte financeiro e material para práticas que ameaçariam a segurança de Dino. O jornalista nega veementemente ter sido pago pelo trabalho, afirmando que o valor se refere a um empréstimo privado quitado para aquisição de uma propriedade rural.
A defesa de Cutrim e juristas criticam o uso do poder de polícia para expor fontes jornalísticas, argumentando que a classificação da divulgação de imagens como crime de perseguição inibe a liberdade de imprensa e a fiscalização de autoridades. O caso tramita no STF dentro do “Inquérito das Fake News”, gerando preocupações sobre a aparência de imparcialidade e a separação entre vítima e julgador, especialmente considerando que Dino figura como suposta vítima em uma investigação conduzida por Moraes, o relator de outro inquérito contra o informante Cutrim.
