Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusa o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de tentar interferir no processo eleitoral ao proibir, por 90 dias, que ele visite o pai, Jair Bolsonaro. A decisão, tomada nesta segunda-feira (13), coincide com o período pré-eleitoral e termina próximo à data do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Em uma transmissão ao vivo na noite de segunda-feira, Flávio Bolsonaro expressou indignação com a medida, que, segundo ele, tem como objetivo “tirar Jair Bolsonaro da prisão domiciliar e humilhar o meu pai”, além de “interferir nas eleições mantendo o presidente incomunicável até a data do 1º turno”. A proibição de visitas partiu de Alexandre de Moraes após o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) ter acionado o magistrado. O motivo foi a divulgação de uma carta escrita por Jair Bolsonaro aos eleitores de direita, na qual ele apoia o filho como sua alternativa para a Presidência.
A campanha de Flávio Bolsonaro reagiu com veemência à decisão. O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), classificou a ação como “autoritária e desproporcional”. O advogado de Flávio, Tracy Reinaldet, por sua vez, declarou a decisão inconstitucional, afirmando que ela contraria entendimentos já firmados pelo próprio STF.
Durante a live, que durou mais de uma hora, Flávio Bolsonaro abordou com tom de revolta o que chamou de “perseguições” do STF e relembrou momentos críticos do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. O senador encerrou sua transmissão com uma mensagem de otimismo em relação à sua própria vitória eleitoral.
Carta de Bolsonaro aos eleitores
A carta divulgada por Jair Bolsonaro, que motivou a decisão de Moraes, expressava saudade do contato com o povo e lealdade. Nela, o ex-presidente conclamava os eleitores a se unirem em torno de Flávio Bolsonaro, apresentando-o como a “melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e empobrecimento”. Bolsonaro se referiu ao filho como seu “porta-voz no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade”, finalizando com o lema “Deus, Pátria, Família e Liberdade”.
As informações foram reunidas a partir de declarações do senador Flávio Bolsonaro e da campanha de seu partido.
