A segunda metade do ciclo menstrual traz consigo alterações físicas e emocionais que afetam a percepção da própria aparência e o bem-estar geral de muitas mulheres.
Nas redes sociais, um fenômeno tem ganhado destaque e gerado identificação em milhares de mulheres: os chamados ‘luteal uglies’ ou ‘feiura da fase lútea’. Vídeos e relatos descrevem uma queda acentuada na autoestima e mudanças visíveis na aparência, que ocorrem na segunda metade do ciclo menstrual, período que antecede a menstruação. Especialistas explicam que essas alterações são resultado de flutuações hormonais significativas.
A fase lútea é caracterizada por uma queda nos níveis de estrogênio e um aumento da progesterona. Essa combinação hormonal pode impactar a pele, tornando-a mais ressecada ou oleosa, com maior propensão ao surgimento de acne. Além disso, o corpo tende a reter mais líquidos, o que pode causar inchaço facial e corporal, e sensibilidade nas mamas. Essas mudanças físicas, somadas a alterações de humor, letargia e dificuldade de concentração, levam muitas mulheres a se sentirem menos atraentes e com a autoconfiança abalada.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela BBC News Brasil.
Impactos na aparência e no bem-estar
Mulheres relatam sentir a pele opaca, com textura irregular e um aspecto geral de cansaço. O inchaço e o desconforto nas mamas também são queixas comuns. A sensação de lentidão mental, a falta de motivação e a diminuição do desejo de socializar são outros sintomas frequentemente mencionados. Esses efeitos podem ser tão intensos que afetam a capacidade de trabalhar, realizar atividades cotidianas e manter relacionamentos sociais.
A médica Louise Newson, especialista em hormônios femininos, destaca que é inaceitável que as mulheres precisem conviver com esses sintomas sem receber o suporte adequado. Ela compara a situação à de um homem com baixa testosterona, que não seria aconselhado a simplesmente se isolar. A falta de informação e a minimização desses sintomas como ‘apenas TPM’ contribuem para o sofrimento de muitas mulheres.
Desafios emocionais e sociais
Além das mudanças físicas, a fase lútea pode desencadear sentimentos intensos de angústia, desesperança e até mesmo a lembrança de situações constrangedoras do passado. A dificuldade de concentração e a falha na memória durante conversas podem gerar constrangimento, especialmente no ambiente de trabalho. A jornalista freelancer Henrietta, por exemplo, descreve sentir um profundo mal-estar e, por vezes, ter reações exageradas com seu parceiro ou amigos, alternando entre falar demais ou se isolar.
A empresária Charlotte Dodds, 36 anos, também enfrenta sintomas como inchaço, espinhas e dificuldade de concentração, que abalam sua autoconfiança, especialmente ao lidar com clientes. Ela ressalta que, para quem trabalha por conta própria, a agenda não pode parar devido a flutuações hormonais.
Como lidar com os sintomas da fase lútea
Especialistas apontam que a conscientização e a busca por informação são os primeiros passos. Entender que a fase lútea é um período previsível e temporário pode trazer alívio. A alimentação desempenha um papel crucial: manter uma boa hidratação, reduzir o consumo de alimentos salgados, álcool e ultraprocessados pode ajudar a diminuir o inchaço e a inflamação.
A prática regular de atividade física também é benéfica. No entanto, quando os sintomas causam sofrimento significativo, é fundamental procurar um profissional de saúde. Médicos como Louise Newson incentivam as mulheres a insistirem em buscar atendimento adequado, pois esses sintomas não costumam desaparecer sozinhos e um acompanhamento médico personalizado pode fazer uma grande diferença na qualidade de vida.
