Polícia Federal mira ex-parlamentar, filho de Cabral e pastor em operação contra crime organizado
O ex-deputado estadual do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (União-RJ), voltou a ser alvo da Polícia Federal nesta quinta-feira (2). Ele é um dos investigados na quinta fase da Operação Unha e Carne, que apura a ligação de agentes públicos com o crime organizado. Bacellar, que já estava preso desde março por suposto vazamento de informações sigilosas de operações policiais para o Comando Vermelho (CV), teve novos mandados de prisão e busca e apreensão cumpridos.
A operação também resultou na prisão do pastor Marcio Poncio e no cumprimento de mandados de busca e apreensão contra o ex-deputado Marco Antônio Cabral (Solidariedade-RJ), filho do ex-governador Sérgio Cabral, e do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como “Adilsinho”, que já se encontrava detido. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Polícia Federal e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Esquema de pagamentos e lavagem de dinheiro sob investigação
Segundo a Polícia Federal, esta etapa da operação investiga um suposto esquema de pagamentos do jogo do bicho e da chamada “Máfia do Cigarro” a agentes públicos. A nova fase teria se originado da análise de documentos apreendidos em investigações anteriores, que revelaram uma contabilidade paralela voltada à lavagem de capitais, além de registros de supostos pagamentos indevidos e de doações eleitorais irregulares. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou o cumprimento de três mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão, além do sequestro de cerca de R$ 22 milhões em bens e valores.
Rodrigo Bacellar e Adilsinho já estavam presos quando os novos mandados foram expedidos. Moraes determinou a transferência de Bacellar para um presídio federal. A operação integra medidas determinadas pelo STF no julgamento da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, que busca investigar a atuação de grupos criminosos violentos no Rio de Janeiro e suas conexões com agentes públicos.
Defesas negam acusações e confiam na Justiça
A defesa de Marco Antônio Cabral negou categoricamente qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou recebimento de valores ilícitos, afirmando que o ex-parlamentar permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. Já a defesa de Adilsinho rechaçou a alegação de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos e expressou confiança no devido processo legal. O advogado do pastor Marcio Poncio informou que ainda não teve acesso aos autos do processo e, portanto, não poderia se pronunciar sobre a prisão.
A quinta fase da Operação Unha e Carne sucede outras etapas realizadas ao longo deste ano. Em maio, a Polícia Federal prendeu o deputado estadual Thiago Rangel (Avante-RJ), investigado por suposta participação em um esquema de fraudes em contratos ligados à Secretaria de Educação do Rio de Janeiro. Na ocasião, foram encontradas mensagens com referências a atos violentos no celular do parlamentar e conversas interceptadas que apontavam para desvios.
