Polícia Federal: Daniel Vorcaro ordenou devassa contra jornalista do O Globo
Polícia Federal: Daniel Vorcaro ordenou devassa contra jornalista do O Globo

Polícia Federal: Daniel Vorcaro ordenou devassa contra jornalista do O Globo

Investigação aponta que ex-banqueiro Daniel Vorcaro tentou intimidar jornalista do O Globo A Polícia Federal identificou, em mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, indícios de que ele teria ordenado uma devassa contra a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. A ação teria sido motivada pela publicação de […]

Resumo

Investigação aponta que ex-banqueiro Daniel Vorcaro tentou intimidar jornalista do O Globo

A Polícia Federal identificou, em mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, indícios de que ele teria ordenado uma devassa contra a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. A ação teria sido motivada pela publicação de reportagens que investigavam o Banco Master. As conversas revelam que Vorcaro teria acionado o publicitário Thiago Miranda para levantar informações pessoais da jornalista com o objetivo de interromper o trabalho investigativo.

Segundo apuração do site Fatos On-line, confirmada pela Gazeta do Povo com fontes ligadas à investigação, os diálogos ocorreram entre março e abril de 2025. Em um trecho, Vorcaro expressa sua irritação com as matérias publicadas pela colunista, afirmando a necessidade de “frear a Malu Gaspar” e que ela “iria dar trabalho nos próximos dias”. Em seguida, o ex-banqueiro sugere: “Vamos ter que tentar pegar algo dessa mulher no pessoal”. Miranda teria respondido: “Exatamente. Ela joga baixo. Vou revirar a vida dela”.

A defesa de Daniel Vorcaro declarou que não se pronunciará sobre a apuração. Já os representantes de Thiago Miranda afirmaram não ter tido acesso às mensagens e repudiaram o que chamaram de “vazamento seletivo” da investigação.

Tentativa de obter informações pessoais e financeiras

As mensagens revelam que a equipe do publicitário informou a Vorcaro, no dia seguinte, que não havia encontrado informações comprometedoras sobre a jornalista. “Nem multa na CNH dela encontrei. Filhos novos ainda também. Te deixo ciente, vou achar algo”, teria dito Miranda. Posteriormente, o publicitário compartilhou com Vorcaro dados como familiares, endereço, contas bancárias, remuneração e informações sobre o veículo da jornalista. Apesar da coleta de dados, Miranda admitiu não ter encontrado elementos que pudessem ser usados contra Malu Gaspar, reforçando a necessidade de “arrumar uma forma de calar essa mulher”.

Proposta milionária para silenciar jornalista

Em outro momento, Daniel Vorcaro cogitou oferecer uma “proposta milionária” para contratar Malu Gaspar. A sugestão, segundo as mensagens, seria contratá-la na revista IstoÉ, pertencente a um grupo de mídia ligado a um empresário. Eles discutiram valores como um salário de R$ 120 mil e luvas contratuais de R$ 1,5 milhão, com o intuito de frear novas reportagens sobre o escândalo do Banco Master.

Lauro Jardim também foi alvo

As conversas também mencionam Lauro Jardim, outro colunista do jornal O Globo, que já havia sido alvo de ameaças anteriores atribuídas a Vorcaro. O ex-banqueiro reclamou que Malu Gaspar e Lauro Jardim aumentaram a fúria nas reportagens após a abordagem. As mensagens relacionadas a Jardim ocorreram entre Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que, segundo a PF, coordenava o grupo “A Turma”, responsável por ações de intimidação.

Repúdio de entidades de imprensa

O jornal O Globo repudiou a devassa contra Malu Gaspar, classificando a ação como uma “trama de perseguição” e pedindo uma investigação rigorosa. A Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também se manifestaram, condenando veementemente as tentativas de intimidação e a violação de dados pessoais.

A ANJ expressou indignação com os “métodos mafiosos” utilizados para intimidar a jornalista e espera a imediata investigação sobre o acesso a dados pessoais, que deveriam estar sob proteção legal. Já a Abraji repudiou os ataques online, notando a recorrência de ofensas misóginas contra mulheres jornalistas que cobrem figuras de poder, e se solidarizou com Malu Gaspar.

As mensagens apreendidas reforçam a estratégia atribuída ao grupo de Vorcaro de pressionar jornalistas cujas reportagens eram consideradas prejudiciais aos seus interesses. O material foi obtido durante investigações sobre o ex-banqueiro, período em que o Banco Master enfrentava uma crise financeira que culminou em sua liquidação pelo Banco Central.

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