Autoridades americanas informaram ao Brasil sobre um incidente aéreo ocorrido em Washington, envolvendo o helicóptero presidencial Marine One, que transportava o então presidente Donald Trump, e uma aeronave comercial da Envoy Air. O episódio, que ocorreu no dia 4 de julho, resultou em uma notificação formal ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), unidade da Força Aérea Brasileira (FAB).
De acordo com um relatório preliminar divulgado pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB), o avião comercial voou a uma distância de apenas 1,3 quilômetro do helicóptero que levava Trump. A investigação aponta para uma falha no sistema de aviso padrão de três minutos, que antecede decolagens de aeronaves presidenciais e visa garantir a exclusão de outras aeronaves na área. Essa falha teria permitido a autorização de decolagem do avião comercial sem a devida coordenação.
A tripulação da Envoy Air relatou ter recebido um alerta de tráfego do sistema de prevenção de colisões logo após a decolagem, mas não chegou a avistar o Marine One. A dificuldade na comunicação entre o helicóptero presidencial e a torre de controle foi atribuída a uma mudança temporária no local de decolagem do Marine One, decorrente de obras na Casa Branca. Desde julho, o helicóptero presidencial tem utilizado o parque Ellipse, ao sul da sede do governo americano, como ponto de partida, o que exigiu ajustes na infraestrutura de comunicação aeronáutica.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo NTSB e pela Força Aérea Brasileira.
Protocolos Internacionais e Cooperação
A notificação ao Cenipa se deu em cumprimento a protocolos internacionais de investigação de acidentes e incidentes aeronáuticos. Estes acordos preveem que os países onde as aeronaves envolvidas foram projetadas e construídas sejam informados para que possam colaborar na apuração. No caso em questão, o avião comercial da Envoy Air é um Embraer E170, de fabricação brasileira. O Cenipa informou que designou um investigador para participar do processo como representante acreditado do Brasil, demonstrando o compromisso do país com a segurança da aviação global.
A FAB esclareceu que, conforme o Anexo 13 da Convenção sobre Aviação Civil Internacional (Convenção de Chicago), a investigação principal deve ser conduzida pelo país em cujo território o evento ocorreu, neste caso, os Estados Unidos. A participação do Cenipa visa reforçar a cooperação internacional na busca por aprimoramentos na segurança aérea.
A reportagem buscou contato com a Embraer para comentar o assunto, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
