Estudo sugere que 'A Noite Estrelada' de Van Gogh retrata céu de julho, não de junho
Estudo sugere que ‘A Noite Estrelada’ de Van Gogh retrata céu de julho, não de junho

Estudo sugere que ‘A Noite Estrelada’ de Van Gogh retrata céu de julho, não de junho

Um novo estudo científico propõe uma reinterpretação da icônica obra “A Noite Estrelada” de Vincent van Gogh, sugerindo que o céu retratado pelo artista holandês não seria o de junho, como tradicionalmente aceito, mas sim o da madrugada de 22 de julho de 1889. A pesquisa, publicada na revista Scientific Reports, baseia-se em simulações astronômicas […]

Resumo

Um novo estudo científico propõe uma reinterpretação da icônica obra “A Noite Estrelada” de Vincent van Gogh, sugerindo que o céu retratado pelo artista holandês não seria o de junho, como tradicionalmente aceito, mas sim o da madrugada de 22 de julho de 1889. A pesquisa, publicada na revista Scientific Reports, baseia-se em simulações astronômicas que analisam a posição da Lua minguante, do planeta Vênus e do aglomerado estelar das Híades. A hipótese desafia a datação proposta por outros historiadores, como Albert Boime, que em 1984 defendeu a data de 19 de junho com base na possível identificação da constelação de Áries.

Liderada pelo astrônomo Elijah Jeong-hyun Kim, da Universidade Kyung Hee, na Coreia do Sul, a equipe de pesquisa encontrou semelhanças matemáticas entre cinco pontos luminosos na tela e estrelas das Híades. As simulações indicam que a configuração celeste observada em 22 de julho se encaixaria no campo de visão reconstruído a partir de fotografias das colinas de Saint-Rémy-de-Provence, na França, local onde Van Gogh pintou a obra durante sua internação voluntária no hospital psiquiátrico de Saint-Paul-de-Mausole. A data tradicionalmente associada à tela é junho, um mês antes da sugestão do novo estudo.

A divergência se baseia em interpretações de cartas de Van Gogh e em evidências históricas. Embora o artista tenha escrito ao irmão Theo por volta de 18 de junho sobre um “novo estudo de um céu estrelado”, os autores do estudo argumentam que essa carta não comprova a conclusão da obra. Eles também contestam a ideia de que um esboço da pintura tenha sido enviado a Theo em 2 de julho. Museus como o MoMA, em Nova York, e o Museu Van Gogh, em Amsterdã, mantêm a datação em junho.

Debates sobre o estado de saúde de Van Gogh e a imaginação artística

O período em que Van Gogh pintou “A Noite Estrelada” foi marcado por sua internação psiquiátrica e por crises de saúde mental, que se alternavam com momentos de intensa produção artística. Historiadores situam uma crise em meados de julho de 1889, o que levanta dúvidas sobre sua capacidade de observar o céu no dia 22 daquele mês. No entanto, os pesquisadores sugerem que a crise pode ter se iniciado no fim de julho, citando uma carta de Van Gogh datada de 22 de agosto, onde ele descreve o episódio como tendo começado semanas antes, enquanto pintava ao ar livre em um dia de vento. Essa descrição foi associada a registros meteorológicos de ventos fortes no final de julho, embora faltem dados médicos para confirmação.

O astrônomo Donald Olson, da Universidade Estadual do Texas, contesta a pesquisa, argumentando que a posição de Vênus na pintura não condiz com a hipótese de 22 de julho e que o enquadramento proposto pelos pesquisadores seria estreito demais. Outros especialistas, como Martin Bailey, historiador de arte e autor de “Starry Night: Van Gogh at the Asylum”, e Felipe Sevilhano Martinez, professor no Museu de Arte de São Paulo (Masp), ressaltam o papel da imaginação de Van Gogh. Eles argumentam que o artista frequentemente misturava observação da realidade com elementos de sua imaginação. Kim, contudo, defende que a disposição dos astros principais, como a Lua, Vênus e as Híades, provém da observação direta, enquanto os redemoinhos, o tamanho das estrelas e as cores são expressões artísticas.

A obra, pintada com a técnica de impasto, que confere textura e volume à tela, retrata uma vila que Van Gogh não podia ver de sua janela, com uma torre de igreja que contrasta com o cipreste em primeiro plano. As pinceladas turbulentas no céu e a representação das estrelas e da Lua têm sido objeto de diversas interpretações, incluindo visões religiosas sobre a criação divina, algo que pode ter ressoado no artista, filho de um pastor protestante.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela revista Scientific Reports e reportagens jornalísticas.

Tags:

Veja Também

Michelle Bolsonaro defende união e rejeita busca por culpados após derrota de Flávio

Michelle Bolsonaro defende união e rejeita busca por culpados após derrota de Flávio

Chineses condenados a prisão nos EUA por espionagem em nome de Pequim

Chineses condenados a prisão nos EUA por espionagem em nome de Pequim

Banco Master leiloa móveis de luxo e TVs de 98 polegadas em liquidação

Banco Master leiloa móveis de luxo e TVs de 98 polegadas em liquidação

Cobertura vacinal contra gripe em 2024 é a menor em anos, alertam especialistas

Cobertura vacinal contra gripe em 2024 é a menor em anos, alertam especialistas

OMS propõe acompanhamento anual da saúde e cognição de idosos no SUS

OMS propõe acompanhamento anual da saúde e cognição de idosos no SUS