Cobertura vacinal contra gripe em 2024 é a menor em anos, alertam especialistas
Cobertura vacinal contra gripe em 2024 é a menor em anos, alertam especialistas

Cobertura vacinal contra gripe em 2024 é a menor em anos, alertam especialistas

Apenas 82 cidades brasileiras alcançaram a meta de vacinação contra a gripe A cobertura vacinal contra o vírus influenza, causador da gripe, está alarmantemente baixa em grande parte do Brasil. Dados do Ministério da Saúde, extraídos em 29 de outubro, revelam que, das 5.119 cidades nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, apenas 82 (1,47%) […]

Resumo

Apenas 82 cidades brasileiras alcançaram a meta de vacinação contra a gripe

A cobertura vacinal contra o vírus influenza, causador da gripe, está alarmantemente baixa em grande parte do Brasil. Dados do Ministério da Saúde, extraídos em 29 de outubro, revelam que, das 5.119 cidades nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, apenas 82 (1,47%) atingiram ou superaram a meta de 90% de imunização do público prioritário. Outras 139 cidades (2,5%) apresentaram um avanço significativo, com cobertura acima de 80%.

Na maioria dos municípios das regiões analisadas, a situação é ainda mais preocupante: 2.935 cidades (52,68%) registraram cobertura vacinal entre 41% e 60%, e outras 1.571 (28,2%) vacinaram entre 61% e 80% do público-alvo. No geral, para essas quatro regiões, apenas 52,45% das pessoas consideradas prioritárias – idosos com 60 anos ou mais, crianças de 6 meses a menores de 6 anos, e gestantes – foram imunizadas.

A campanha de vacinação contra a gripe no país geralmente tem início em março. Contudo, na Região Norte, devido às particularidades do inverno amazônico, a imunização é realizada no segundo semestre, a partir de meados de novembro, o que explica a ausência de dados consolidados para essa área no painel. As informações foram extraídas do painel de vacinação de influenza do Ministério da Saúde.

Fatores climáticos e biológicos aumentam a vulnerabilidade

A infectologista Rosana Richtmann, membro do comitê de imunizações da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), destaca que as variações climáticas, potencializadas pelo fenômeno El Niño, criam um cenário propício para a disseminação de vírus respiratórios. “É um ano crítico, devido à influência do El Niño”, afirma Richtmann. Ela ressalta que a proteção oferecida pela vacina tem uma duração de aproximadamente seis meses, o que significa que muitas pessoas que se vacinaram em março podem já não estar totalmente protegidas em outubro.

As mudanças nas temperaturas, especialmente no Sul e Sudeste, facilitam a transmissão da influenza e de outros vírus respiratórios. “Neste ano está tudo diferente em termos climáticos, e estamos vendo casos de influenza fora de época. As temperaturas baixas favorecem a transmissão do vírus, e nós deixamos os ambientes menos ventilados”, explica a médica. Segundo Richtmann, o vírus influenza tende a causar quadros clínicos mais agressivos em comparação a outros vírus respiratórios.

Idosos são o principal foco de preocupação dos especialistas

Os idosos representam o grupo de maior preocupação para os especialistas, pois seu sistema imunológico pode não responder à vacina com a mesma eficiência de antes. A infectologista observa uma inversão no histórico de imunização: enquanto há três anos o grupo com mais de 70 anos demonstrava alta adesão às campanhas contra a gripe, esse padrão se perdeu. Em contrapartida, houve uma evolução positiva na cobertura vacinal entre gestantes e crianças.

A baixa adesão vacinal entre os idosos é um alerta urgente, considerando a gravidade de possíveis complicações como pneumonia bacteriana, necessidade de internação ou problemas cardiovasculares. “Existe uma relação comprovada cientificamente do vírus influenza levando, por exemplo, ao infarto agudo do miocárdio”, pontua a médica.

Balanço de casos e mortes acende alerta

Até 19 de outubro de 2026, o Brasil registrou 17.679 casos de gripe (incluindo subtipos A H1N1, A H3N2, A não subtipado e influenza B) e 1.343 mortes, de acordo com dados do Ministério da Saúde. No mesmo período de 2025, foram contabilizadas 25.438 infecções e 3.176 óbitos, o que demonstra uma tendência de queda nos números registrados em comparação ao ano anterior, mas ainda assim um número significativo de casos e fatalidades.

Diante deste cenário, a recomendação para aqueles que ainda não foram vacinados é procurar um posto de saúde para receber a dose, especialmente se houver planos de viagem para o Hemisfério Norte, onde a circulação do vírus influenza é intensa nesta época do ano.

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