Dino determina revisão de regras da CVM que facilitariam estruturas financeiras opacas
Dino determina revisão de regras da CVM que facilitariam estruturas financeiras opacas

Dino determina revisão de regras da CVM que facilitariam estruturas financeiras opacas

Ministro Flávio Dino ordena reavaliação de normas da CVM sobre fundos de investimento O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou que a União revise as regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que, segundo ele, permitem a criação de estruturas financeiras opacas. A decisão, proferida neste domingo (20), atende a uma provocação […]

Resumo

Ministro Flávio Dino ordena reavaliação de normas da CVM sobre fundos de investimento

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou que a União revise as regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que, segundo ele, permitem a criação de estruturas financeiras opacas. A decisão, proferida neste domingo (20), atende a uma provocação da organização Transparência Internacional e baseia-se em conclusões de um grupo de trabalho da própria autarquia sobre o caso Master.

Dino apontou uma resolução de 2022 como o ponto de partida para a permissão de estruturas sucessivas, onde fundos de investimento aplicam recursos em outros fundos de características semelhantes. Embora a possibilidade já existisse há anos, especialmente para fundos de direitos creditórios (FIC-FIDCs) desde 2001, a norma de 2022 teria ampliado essa modalidade sem impor limitações quantitativas. O ministro argumenta que essa disciplina normativa pode comprometer alertas de inteligência financeira e dificultar o rastreamento de fluxos econômicos pelos órgãos de controle.

Além disso, a ação questionada pelo partido Novo, e relatada por Dino, também abrange uma regra que permite que o dinheiro em certas operações passe temporariamente por uma conta ligada a quem vendeu os créditos ao fundo antes de chegar ao destino final. Essa etapa intermediária, segundo o ministro, pode dificultar o acompanhamento dos recursos por órgãos de fiscalização.

Investigações sobre o Banco Master e o emaranhamento de fundos

O chamado “emaranhamento” de fundos, citado por Dino, tem sido um ponto central nas investigações sobre fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Um relatório do Banco Central (BC) detalha um esquema que teria se iniciado com a Reag, gestora de fundos ligada ao banco. Neste esquema, o Master concederia crédito a empresas, mas uma pequena parte dos recursos seria repassada aos tomadores, enquanto a maior parcela seria direcionada a fundos de investimento geridos pela Reag.

Um dos casos em apuração envolve a Brain Realty Consultoria e Participações Imobiliárias. Em abril deste ano, o banco concedeu R$ 459 milhões à empresa. Dois dias depois, R$ 450 milhões foram transferidos para o fundo Brain Cash, administrado pela Reag e tendo a própria Brain Realty como única cotista. Poucas horas após o recebimento, os recursos foram utilizados para comprar cotas do Fundo D Mais, também administrado pela Reag.

As operações frequentemente envolviam direitos creditórios, que são direitos de recebimento futuro. Nesse mercado, empresas podem vender esses direitos com deságio a fundos para antecipar recebíveis. No caso do Master, as autoridades apontaram indícios de que alguns desses ativos estavam superavaliados. Os recursos eram então transferidos por uma “complexa e extensa cadeia de fundos”, a maioria das vezes no mesmo dia, dificultando a identificação de responsabilidades em caso de falsificações. Ao final dessa cadeia, o dinheiro retornava para investimentos em CDBs do próprio conglomerado Master, levantando suspeitas de desvio de recursos. O Banco Central tratou o fluxo como indício de desvio, enquanto a Polícia Federal investiga operações da Reag por suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro.

É importante notar, contudo, que os documentos analisados não demonstram que essas operações específicas dependessem exclusivamente da regra de 2022 que ampliou a possibilidade de fundos investirem em cotas de outros fundos semelhantes, indicando que o mecanismo de emaranhamento já existia de forma mais ampla.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo STF e pelo Banco Central.

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