Senadora Damares Alves se retira da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) anunciou seu afastamento da campanha e da elaboração do plano de governo do pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. A decisão, comunicada ao portal Metrópoles, surge em meio a um cenário de tensões internas e alegações de ataques direcionados à senadora por parte de setores da direita. Damares também lamentou não ter sido procurada por Flávio Bolsonaro desde o início da escalada da crise.
Ex-ministra da Mulher e dos Direitos Humanos no governo de Jair Bolsonaro, Damares Alves havia sido convidada para colaborar com o programa de Flávio Bolsonaro na área de sua especialidade. No entanto, optou por interromper suas contribuições, afirmando que já realizou o trabalho inicial e que poderá retornar para auxiliar em um eventual governo de transição. As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles.
Aliada de Michelle Bolsonaro e alvo de ataques
A senadora é conhecida por sua proximidade e aliança com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Michelle, em junho, manifestou publicamente sentir-se “apunhalada”, “desrespeitada” e “humilhada” pelo enteado, Flávio Bolsonaro, devido a discordâncias sobre alianças políticas no Ceará. Posteriormente, Michelle renunciou à presidência do PL Mulher e lançou seu próprio movimento, o Imparáveis MB.
O desalinhamento de Damares Alves com a campanha de Flávio Bolsonaro ficou evidente quando ela não compareceu a um encontro organizado para lideranças femininas, evento que ela própria ajudou a organizar. Na ocasião, Damares relatou em pronunciamento na Comissão de Direitos Humanos do Senado que ela e sua família têm sido alvo de ameaças e ataques virtuais, incluindo ameaças de morte contra sua filha. A senadora também denunciou ter sido chamada de “leviana”, “vagabunda” e “adúltera”, relatando ofensas sobre sua honra pessoal.
Críticas a declarações de aliado de Eduardo Bolsonaro
Damares Alves também manifestou repúdio a declarações do influenciador Paulo Figueiredo, aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Figueiredo havia afirmado que “mulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras, as casadas costumam acompanhar o marido”. Em resposta, Damares criticou a dúvida levantada sobre a capacidade de voto das mulheres. Flávio Bolsonaro, por sua vez, repudiou as falas de Figueiredo, classificando-as como equivocadas e afirmando que não se sente representado por elas, embora Figueiredo não faça parte de sua campanha.
Sobre o desgaste com sua madrasta, Michelle Bolsonaro, Flávio Bolsonaro declarou-se aberto a conversas e disse esperar que ela se sinta pronta para se juntar à campanha, pois acredita que ela compartilha da sua visão de que o país não suporta mais quatro anos de governo do PT.
