Candidatos ao Senado na Região Norte demonstram inclinação para debater e votar em processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A pauta, que varia em intensidade entre os estados, revela um cenário de questionamento à atuação da Corte e busca por equilíbrio entre os Poderes.
A análise do posicionamento de candidatos ao Senado na Região Norte do país indica uma tendência majoritária em favor da discussão e eventual abertura de processos de impeachment contra ministros do STF. Embora as abordagens variem, desde a defesa explícita da cassação até a proposição de reformas no Judiciário, o tema figura como um ponto de debate relevante nas campanhas eleitorais da região. Informações foram reunidas a partir de levantamento da Gazeta do Povo.
Diferenças regionais e o caso do Amapá
Em contraste com outras regiões, como o Nordeste, o Norte apresenta um número expressivo de candidatos que defendem a prerrogativa do Senado de processar e julgar ministros em casos de impeachment. Mesmo aqueles que não advogam pela destituição imediata, frequentemente admitem a necessidade de debates sobre a reforma do Judiciário e a restrição de mandatos. O estado do Amapá, no entanto, surge como uma exceção, com candidatos ao Senado que não se manifestaram sobre o tema, priorizando discussões sobre o desenvolvimento estadual.
Posicionamentos no Acre e Amazonas
No Acre, senadores como Mácio Bittar (PL) e Eduardo Velloso (Solidariedade) já defenderam abertamente o impeachment de ministros, citando o caso de Alexandre de Moraes. Júnior Feitosa (DC) também se declarou favorável à responsabilização com possibilidade de perda de mandato, baseando-se no artigo 52 da Constituição. Mara Rocha (Republicanos), embora não tenha se manifestado explicitamente sobre impeachment, defende a limitação do mandato de ministros para garantir o equilíbrio de poderes.
Já no Amazonas, Capitão Alberto Neto (PL) criticou a falta de pauta para impeachment no Senado, enquanto Plínio Valério (PSDB) reafirmou sua posição favorável à cassação em casos de desrespeito à Constituição. Wilson Lima (União) também defendeu a possibilidade de afastamento de ministros que cometam crimes.
Debates no Pará e Rondônia
No Pará, Éder Mauro (PL) expressou desejo pela queda de ministros via impeachment, criticando o que considera um tratamento diferenciado em relação a outros cidadãos. Zequinha Marinho (Podemos) assinou pedidos de impeachment e celebrou a rejeição de indicações ao STF pelo Senado.
Em Rondônia, Bruno Scheid Bolsonaro (PL) e Mariana Carvalho (Republicanos) se declararam favoráveis ao impeachment de ministros que cometam crimes comprovados. Neidinha Suruí (PSB) e Luciana Oliveira (PT) enfatizaram a necessidade de observância do devido processo legal, enquanto Silvia Cristina (PP) e Luís Fernando (PSD) se posicionaram a favor do impeachment mediante indícios fortíssimos de irregularidades e abuso de poder.
Roraima e Tocantins: entre o impeachment e a reforma
Em Roraima, Chico Rodrigues (PSB) defende a revisão do tempo de mandato de ministros, propondo que não seja vitalício. Hélio Lopes (PL) e Nicoletti (PL) já assinaram pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes, considerando-o um violador da Constituição. Pastor Isamar (União) também defendeu o impeachment, criticando a atuação de Moraes. Teresa Surita (MDB) se mostrou favorável ao impeachment e a uma reforma na Corte, com fim do mandato vitalício.
No Tocantins, Coronel Nilton Santos (Novo) e Eduardo Gomes (PL) defenderam o impeachment em casos de descumprimento da lei. Outros candidatos contatados não se posicionaram ou não foram localizados pela reportagem.
A ausência de manifestações de alguns candidatos, especialmente no Amapá, e a priorização de outros temas em detrimento do debate sobre o STF, indicam que a relevância da pauta pode variar significativamente, mesmo dentro da mesma região geográfica.
