Caiado pede sigilo de investigações e critica falta de transparência em processo eleitoral
O candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), defendeu a quebra do sigilo de investigações que envolvem o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Banco Master, além de ter criticado a falta de transparência em casos que atingem ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao programa Café com a Gazeta do Povo, o ex-governador de Goiás afirmou que a sociedade precisa conhecer os fatos antes do dia da eleição para que o eleitor não se arrependa de seu voto.
“Solicitei ao presidente do STF que quebrasse o sigilo de tudo, tanto do INSS como do Banco Master, para que a sociedade soubesse quem são os envolvidos. Se o eleitor votar no dia 4 de outubro, não terá como pedir o voto de volta se acabar elegendo um corrupto”, declarou Caiado, comparando as relações investigadas a surpresas de um ovo de chocolate, em alusão a descobertas inesperadas.
Caiado, que disputa a presidência pela segunda vez após 37 anos – a primeira foi em 1989 –, também comentou sobre a possibilidade de indicar mulheres para o STF caso seja eleito. Ele mencionou a ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge como um perfil compatível com o cargo, citando sua atuação no caso do inquérito das fake news.
Caiado aposta em fatos novos e ampliação de conhecimento para reverter cenário eleitoral
Questionado sobre seu desempenho nas pesquisas eleitorais, o candidato admitiu a necessidade de ampliar seu conhecimento nacional. Ele atribuiu o desconhecimento fora de Goiás à natureza do cargo de governador, que concentra o debate político em âmbito estadual. Contudo, Caiado se mostrou otimista, comparando a resiliência de sua campanha à delicadeza de uma cirurgia de coluna, área em que é especialista.
“Eu sou uma pessoa extremamente otimista. […] Eu sou daquele que vou até o último minuto, diria você talvez até uns 10 minutos a mais, para poder salvar uma vida e para poder salvar um país”, afirmou. Ele acredita que novos fatos surgirão nos próximos dias e que o eleitor poderá reavaliar suas escolhas, saindo do voto de oposição a outro candidato para escolher a melhor opção para o país.
O candidato também abordou a falta de apoio de alguns governadores do PSD à sua candidatura, atribuindo a situação a interesses políticos regionais. Segundo ele, o apoio de governadores não é determinante para o resultado de uma eleição presidencial, pois o eleitor analisa os candidatos de forma independente dessas alianças.
Propostas para segurança pública e combate a apostas online
Na área de segurança pública, Caiado destacou os resultados obtidos durante sua gestão em Goiás, atribuindo a redução da criminalidade ao uso de inteligência de dados e inteligência artificial. Ele citou a queda de 60% nos índices de criminalidade e a menor taxa de roubos e furtos do país em diversas categorias.
Caiado também defendeu um combate integrado às apostas online irregulares, classificando o vício em apostas como um problema de saúde pública. Ele propôs a convergência de informações entre órgãos de segurança e fiscalização para identificar e interromper operações clandestinas, com o uso de ferramentas como o sistema Sentinela.
Posicionamentos em temas diversos
Ao final da entrevista, Ronaldo Caiado se posicionou sobre diversos temas. Foi a favor do voto impresso, da redução da maioridade penal, do fim do foro privilegiado, da PEC 6×1 e do teto de gastos. Mostrou-se contra a legalização do aborto, a audiência de custódia e as apostas online (bets). Em relação a temas de segurança, defendeu escolas cívico-militares e a possibilidade de impeachment de ministros do STF que tenham motivos para tal. Sobre a polarização política, classificou Lula como “ladrão do futuro brasileiro” e Jair Bolsonaro como alguém que “conseguiu unir a direita brasileira, mas não soube governar”. O 8 de janeiro foi definido como “uma baderna”, e Alexandre de Moraes, ministro do STF, teve seu comportamento questionado por Caiado como “não compatível com o cargo”.
As informações foram reunidas a partir de declarações de Ronaldo Caiado durante entrevista ao programa Café com a Gazeta do Povo.
