Brasil retira embaixador da Argentina em meio a escalada de ofensas de Javier Milei
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) decidiu rebaixar o nível da relação bilateral com a Argentina, uma medida sem precedentes em décadas. A decisão, comunicada nesta terça-feira, ocorre em resposta às reiteradas ofensas do presidente argentino, Javier Milei, ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. O embaixador brasileiro em Buenos Aires foi chamado para consultas há pouco mais de uma semana e agora permanecerá no Brasil por tempo indeterminado, marcando um distanciamento significativo entre os dois governos.
Segundo o Itamaraty, a paciência com as declarações de Milei se esgotou. “Tivemos muita paciência, não respondemos, mas cremos que a reiteração das ofensas feitas ao Presidente tornou inevitável essa decisão”, afirmou o ministério, conforme reportado pelo jornal La Nación. Esta é a terceira vez que Milei ataca Lula, com as mais recentes ofensas ocorrendo após sua visita ao Brasil para o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro.
Ofensas e reações diplomáticas
Em sua última declaração, Milei questionou as condenações de Lula, referindo-se a ele como “ladrão” e “corrupto”, e mencionou sua passagem pela prisão em 2018. O presidente argentino também expressou o desejo de que a “onda azul”, termo utilizado para descrever a ascensão da direita na América Latina, alcance o Brasil. As tensões se intensificaram após Milei ter sido impedido de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e ter chamado o ministro Alexandre de Moraes de “lixo careca”.
A nota oficial do Itamaraty, divulgada anteriormente, destacou a falta de precedentes para um chefe de Estado estrangeiro que, em território nacional, concentre agressões ao chefe de Estado, às instituições democráticas e ao Poder Judiciário do Brasil. O ministério ressaltou os “203 anos” de amizade e cooperação entre os países, buscando contextualizar a gravidade das atitudes de Milei. Fontes não oficiais do Itamaraty indicaram que o embaixador só retornará à Argentina “quando o Brasil parar de ser agredido”.
A Gazeta do Povo procurou o Itamaraty para um pronunciamento oficial, mas o ministério optou por não se manifestar. As informações foram apuradas a partir de reportagens do jornal La Nación e declarações do Itamaraty.
