Filho do presidente é investigado por suposto tráfico de influência e corrupção.
O empresário Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está no centro de três investigações que apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência. As apurações são desdobramentos da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que investiga o esquema conhecido como “farra do INSS”.
As investigações ganharam corpo a partir da quebra dos sigilos fiscal e telefônico da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. Segundo as apurações, Roberta teria atuado como intermediária junto ao governo para favorecer a empresa de Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”, que está preso há quase um ano sob suspeita de envolvimento no esquema.
A defesa de Roberta Luchsinger informou que só se manifestará nos autos do processo. As informações sobre as investigações foram obtidas pelo jornal O Estado de S. Paulo por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e divulgadas por outros veículos.
Visitas e depósitos sob escrutínio
Um dos pontos centrais da investigação é um depósito de R$ 249 mil realizado por Roberta Luchsinger na conta de Marco Aurélio Santana Ribeiro, chefe de gabinete de Lula e conhecido como “Marcola”. Marcola afirmou que o valor foi utilizado para “fins familiares” e que não praticou ilegalidades em suas funções. O presidente Lula teria cobrado explicações sobre o depósito.
Além disso, Roberta Luchsinger realizou 43 visitas a órgãos do governo federal entre janeiro de 2023 e abril de 2024. Desse total, 41 encontros não foram registrados nas agendas oficiais, o que contraria a legislação que prevê a divulgação de reuniões com autoridades públicas. O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, foi o mais visitado, com 17 registros, seguido pelo Ministério da Saúde, com 16 visitas. O advogado de Roberta alegou que as visitas são fruto de sua atividade profissional regular, e o governo assegurou que nenhuma das reuniões resultou em atos administrativos.
Diálogos e negócios em pauta
Diálogos interceptados pela Polícia Federal no ano passado indicam que o “Careca do INSS” teria recomendado que Roberta buscasse o ministro da Saúde, a quem se referiu como um homem de “mil relacionamentos”. O ministro da Saúde, em nota ao Estadão, negou ter recebido Roberta Luchsinger desde que assumiu a pasta em março de 2023. A reportagem da Gazeta do Povo não obteve resposta do ministro por telefone.
As investigações apontam que os negócios que poderiam ser intermediados envolveriam a distribuição de kits de combate à dengue, a inclusão de cannabis medicinal no Sistema Único de Saúde (SUS) e a promoção de um suplemento alimentar infantil fabricado em Goiás.
Movimentações financeiras e viagens questionadas
Dados levantados pelas investigações indicam uma movimentação de R$ 19,5 milhões em contas de Lulinha entre 2022 e 2026. A defesa de Lulinha argumenta que o vazamento desses dados não comprova irregularidades nem ligação direta com lobistas e defende o arquivamento do caso por “ausência de fatos”.
Adicionalmente, a defesa confirmou que Lulinha realizou uma viagem a Portugal cujas despesas com passagens e hospedagem foram integralmente pagas pelo “Careca do INSS”. O propósito da viagem seria conhecer uma fábrica de cannabis no país europeu.
Defesa de Lulinha protesta contra vazamentos
A defesa de Lulinha manifestou forte repúdio aos vazamentos de informações sobre as investigações, classificando-os como “vazamentos reiterados, seletivos e criminosos”. O pedido foi para que o Ministério da Justiça tome providências.
As informações foram reunidas a partir de reportagens do jornal O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo.
