Anvisa aprova novo medicamento oral contra câncer de mama avançado
Anvisa aprova novo medicamento oral contra câncer de mama avançado

Anvisa aprova novo medicamento oral contra câncer de mama avançado

Anvisa concede registro para Etcamah, medicamento oral inovador no tratamento de câncer de mama avançado. A nova droga visa pacientes com tumores receptores de estrogênio positivo (ER+) e HER2 negativo (HER2-), um grupo que frequentemente enfrenta resistência a tratamentos convencionais. A aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária abre caminho para uma nova linha de […]

Resumo

Anvisa concede registro para Etcamah, medicamento oral inovador no tratamento de câncer de mama avançado. A nova droga visa pacientes com tumores receptores de estrogênio positivo (ER+) e HER2 negativo (HER2-), um grupo que frequentemente enfrenta resistência a tratamentos convencionais. A aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária abre caminho para uma nova linha de tratamento, com potencial para mudar o prognóstico dessas pacientes.

O Etcamah, cujo princípio ativo é o camizestranto, foi desenvolvido pela farmacêutica AstraZeneca do Brasil e representa um avanço significativo no arsenal terapêutico contra o câncer de mama. O medicamento pertence à classe dos degradadores seletivos do receptor de estrogênio, atuando de maneira dupla: ele não só bloqueia o receptor hormonal na superfície da célula cancerígena, como também induz a autodestruição dessa estrutura pela própria célula. Essa ação visa interromper os sinais de crescimento do tumor que dependem do estrogênio.

A principal indicação do Etcamah é para pacientes cujos tumores se tornaram resistentes à hormonioterapia tradicional. Essa resistência geralmente surge após cerca de seis meses de tratamento contínuo, quando mutações adaptativas no gene ESR1 alteram a estrutura da célula tumoral, permitindo que ela continue a se multiplicar mesmo sob o efeito dos medicamentos convencionais. O camizestranto foi projetado especificamente para superar essa barreira.

Uma das inovações trazidas pelo novo tratamento é a mudança na estratégia de intervenção. Tradicionalmente, a troca de medicação ocorre apenas após a detecção de progressão da doença em exames de imagem. Com o Etcamah, a substituição terapêutica pode ser iniciada assim que a mutação no gene ESR1 for identificada no sangue, por meio de biópsia líquida, mesmo antes que a doença apresente sinais visíveis de avanço. Essa abordagem antecipada foi validada pelo ensaio clínico Serena-6, que monitorou 315 pacientes.

Os resultados do estudo Serena-6 demonstraram que as pacientes tratadas com camizestranto ao detectar a mutação tiveram uma redução de 56% no risco de progressão da doença ou morte, em comparação com aquelas que mantiveram a hormonioterapia anterior. O tempo médio de controle do câncer sem crescimento aumentou de 9,2 meses para 16 meses com o novo medicamento.

O Etcamah já havia recebido aprovação da FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, em setembro, através de um mecanismo de autorização acelerada. Essa modalidade permite a aprovação de tratamentos promissores para doenças graves enquanto estudos adicionais confirmam os benefícios.

O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre mulheres globalmente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2024 foram estimados 2,4 milhões de novos casos e 694 mil mortes. No Brasil, o Inca projeta 73.610 novos casos anuais entre 2023 e 2025, representando 30,1% de todos os diagnósticos de câncer em mulheres no país. O tratamento varia conforme as características e o estágio da doença, podendo incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapias direcionadas.

O registro do Etcamah pela Anvisa foi concedido à farmacêutica AstraZeneca do Brasil e agora o medicamento passará pela avaliação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) para a definição do teto de preço para comercialização no país.

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