Primata peçonhento, dado como extinto, é redescoberto cientificamente após quase um século
Primata peçonhento, dado como extinto, é redescoberto cientificamente após quase um século

Primata peçonhento, dado como extinto, é redescoberto cientificamente após quase um século

Redescoberta em Bangka O lóris-lento-de-Bangka (Nycticebus bancanus), um primata noturno peculiar e peçonhento, foi cientificamente registrado novamente após quase um século de silêncio. Pesquisadores revelaram em um artigo recente que uma organização de resgate de animais na ilha de Bangka, Indonésia, encontrou mais de 90 espécimes nos últimos anos, a maioria dos quais foi devolvida […]

Resumo

Redescoberta em Bangka

O lóris-lento-de-Bangka (Nycticebus bancanus), um primata noturno peculiar e peçonhento, foi cientificamente registrado novamente após quase um século de silêncio. Pesquisadores revelaram em um artigo recente que uma organização de resgate de animais na ilha de Bangka, Indonésia, encontrou mais de 90 espécimes nos últimos anos, a maioria dos quais foi devolvida à natureza. Essa redescoberta é um farol de esperança, especialmente considerando que a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) havia classificado a espécie como criticamente ameaçada e possivelmente extinta em 2020, sendo também incluída na lista de “primatas perdidos” pelo grupo de conservação Re:wild.

“O lóris-lento-de-Bangka ainda está vivo”, afirmou Timon Glaw, estudante de pós-graduação em conservação da natureza e gestão da biodiversidade no zoológico Haus des Meeres Aqua Terra, em Viena, e um dos autores do estudo publicado na revista Spixiana. A existência contínua da espécie em diversas áreas de Bangka, apesar da destruição de seu habitat, atribuída à mineração de estanho e ao desmatamento para plantações de dendê, surpreende os cientistas.

As informações sobre a redescoberta foram reunidas a partir de dados divulgados pela Reuters.

Um Primata Singular e Subestimado

O lóris-lento-de-Bangka é um primata noturno de pequeno porte, caracterizado por sua pelagem castanho-avermelhada, marcas faciais distintas e grandes olhos. Seu deslocamento lento pelas árvores o diferencia de outros primatas arborícolas. Na linhagem evolutiva, ele possui maior parentesco com os lêmures de Madagascar e os gálagos da África do que com macacos ou grandes primatas. Os últimos registros científicos históricos da espécie datam do início da década de 1930, deixando um longo período de décadas sem informações confiáveis sobre sua sobrevivência.

O Mecanismo de Defesa Peçonhento

Uma característica notável do lóris-lento-de-Bangka, assim como outras espécies de lóris-lentos, é sua peçonha, uma raridade entre os mamíferos. Os animais produzem uma secreção em glândulas localizadas perto dos cotovelos. Quando se sentem ameaçados, eles levantam os braços, lambem as glândulas e misturam a secreção à saliva, inoculando o veneno através de uma mordida. Essa substância pode causar reações alérgicas graves em humanos, com potencial risco de morte. Pesquisas sugerem que o veneno é utilizado principalmente em disputas com outros lóris, mas também pode atuar como defesa contra predadores e parasitas.

Esforços de Conservação e o Futuro da Espécie

Entre 2015 e 2025, o Alobi Wildlife Rescue Center, uma organização conservacionista indonésia, resgatou mais de 90 lóris-lentos-de-Bangka. Muitos foram encontrados em residências, jardins e estradas, alguns com ferimentos graves, frequentemente decorrentes de contato com fiação elétrica. Após recuperação, 86 desses animais foram reintroduzidos em habitats naturais adequados. Glaw enfatiza a urgência de proteger as florestas remanescentes de Bangka contra a mineração de estanho e a expansão das plantações de dendezeiros. Ele também destaca a necessidade de levantamentos de campo sistemáticos para determinar a extensão e o tamanho das populações remanescentes da espécie.

A dieta do lóris-lento-de-Bangka ainda não é completamente conhecida, mas presume-se que, como outros lóris, inclua insetos, gomas de árvores, néctar e outras partes de plantas. A redescoberta deste primata carismático e singular levanta a esperança de que outras espécies consideradas extintas possam ainda sobreviver em áreas pouco exploradas pela ciência.

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