Descoberto o primeiro anfíbio que viveu exclusivamente no mar
Descoberto o primeiro anfíbio que viveu exclusivamente no mar

Descoberto o primeiro anfíbio que viveu exclusivamente no mar

Paleontólogos identificam anfíbio com vida 100% marinha Um grupo internacional de paleontólogos anunciou a descoberta do Gerrothorax maritimus, o primeiro anfíbio conhecido a ter levado uma vida inteiramente marinha. Encontrado em rochas na província de Guizhou, na China, com aproximadamente 237 milhões de anos, o animal pertence ao período Triássico, época que antecedeu a era […]

Resumo

Paleontólogos identificam anfíbio com vida 100% marinha

Um grupo internacional de paleontólogos anunciou a descoberta do Gerrothorax maritimus, o primeiro anfíbio conhecido a ter levado uma vida inteiramente marinha. Encontrado em rochas na província de Guizhou, na China, com aproximadamente 237 milhões de anos, o animal pertence ao período Triássico, época que antecedeu a era dos dinossauros. Diferente da maioria dos anfíbios, que possuem pele permeável e limitada tolerância à salinidade, o G. maritimus apresenta características anatômicas únicas que permitiram sua adaptação ao ambiente oceânico. A descrição da nova espécie foi publicada na revista Nature Ecology & Evolution.

A descoberta desafia a compreensão tradicional sobre a fisiologia dos anfíbios, que historicamente foram associados a ambientes de água doce ou zonas de transição entre terra e água. A pele delicada e permeável, essencial para a hidratação em ambientes doces, seria um obstáculo intransponível para a sobrevivência em água salgada, levando à desidratação e ao acúmulo de sais no organismo. A rã Fejervarya cancrivora, que vive em manguezais e tolera curtos períodos em água salgada, é uma rara exceção entre os anfíbios modernos, evidenciando a dificuldade geral de adaptação a tais condições.

Adaptações para a sobrevivência marinha

O Gerrothorax maritimus possuía uma notável armadura óssea, cobrindo grande parte de seu corpo, o que sugere uma proteção significativa contra a perda de água para o ambiente marinho circundante. Essa característica, embora presente em outros anfíbios de seu grupo (temnospôndilos), era particularmente desenvolvida no G. maritimus. Além disso, a presença de brânquias internas em adultos, similar à encontrada em peixes ósseos, teria facilitado a eliminação do excesso de sal, uma adaptação crucial para a vida no oceano. Essas características já existiam em parentes de água doce, indicando que ajustes evolutivos relativamente pequenos foram suficientes para a colonização do ambiente marinho.

As evidências geológicas e paleontológicas corroboram a hipótese de um estilo de vida exclusivamente marinho. As rochas onde o fóssil foi encontrado são consistentes com o leito oceânico, localizadas a pelo menos 30 km da terra firme. A presença de fósseis de ictiossauros, répteis marinhos exclusivos, nas mesmas camadas, reforça essa conclusão. A integridade do fóssil também descarta a possibilidade de um longo transporte fluvial até o mar. Análises químicas dos fósseis, baseadas em isótopos de estrôncio, indicam uma composição compatível com a água do mar do período Triássico, distinta da água doce da época.

Um predador de emboscada no fundo do mar

Com um comprimento estimado de pelo menos 74 cm (a cauda não está completa), o Gerrothorax maritimus era um predador de considerável porte, embora menor que alguns de seus parentes temnospôndilos que atingiam tamanhos maiores. A análise da estrutura óssea de sua garganta sugere que ele era capaz de capturar presas através de forte sucção, uma tática comum em predadores aquáticos que aguardam no fundo do leito marinho por presas incautas. Essa capacidade, aliada à sua armadura e sistema branquial adaptado, faz do G. maritimus um fascinante exemplo de adaptação evolutiva a um nicho ecológico incomum para anfíbios.

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