Menopausa: Lubrificantes e atenção às preliminares são chaves para manter a vida sexual ativa
Menopausa: Lubrificantes e atenção às preliminares são chaves para manter a vida sexual ativa

Menopausa: Lubrificantes e atenção às preliminares são chaves para manter a vida sexual ativa

Menopausa não é o fim do prazer sexual A chegada da menopausa, marcada pelo fim da menstruação, traz consigo uma série de transformações hormonais que podem impactar significativamente a vida sexual feminina. A redução abrupta dos níveis de estrogênio, hormônio crucial para a saúde dos tecidos vaginais e vulvares, pode levar a sintomas como secura, […]

Resumo

Menopausa não é o fim do prazer sexual

A chegada da menopausa, marcada pelo fim da menstruação, traz consigo uma série de transformações hormonais que podem impactar significativamente a vida sexual feminina. A redução abrupta dos níveis de estrogênio, hormônio crucial para a saúde dos tecidos vaginais e vulvares, pode levar a sintomas como secura, atrofia, queimação, coceira e diminuição da lubrificação natural. Esses desconfortos, somados a alterações de humor e irritabilidade comuns nesta fase, frequentemente resultam em diminuição do desejo sexual e dor durante as relações, afetando a autoestima e a qualidade de vida de muitas mulheres.

Uma pesquisa realizada pela consultoria Reds e pelo laboratório botânico Herbarium com mais de 500 mulheres entre 45 e 60 anos revelou que a queda do apetite sexual foi o sintoma mais relatado (84,2%). Para a maioria, esse impacto negativamente a qualidade de vida, afetando a autoestima (51,4%) e os relacionamentos (50,6%). Especialistas alertam, contudo, que a menopausa não precisa significar o fim da vida sexual prazerosa. A atriz Angela Dippe, aos 64 anos, compartilha sua experiência positiva após os 50, quando, apesar de entrar na menopausa, redescobriu sua sexualidade. Ela destaca a importância de encarar o corpo em mudança com conhecimento e adaptação.

As informações foram reunidas a partir de entrevistas com a atriz Angela Dippe e a ginecologista e sexologista Lucia Alves da Silva Lara, além de dados de pesquisa da consultoria Reds e do laboratório botânico Herbarium.

Entendendo as mudanças e buscando soluções

A ginecologista e sexologista Lucia Alves da Silva Lara explica que a queda do estrogênio afeta o trofismo da mucosa vaginal e vulvar, reduzindo a lubrificação e a sensibilidade, ao mesmo tempo em que pode evidenciar áreas mais sensíveis à dor. Além disso, alterações emocionais como irritabilidade e dificuldade de concentração podem contribuir para uma percepção negativa da função sexual. Embora casos raros de aumento de desejo sexual existam, geralmente ligados à produção contínua de testosterona, o mais comum são os desafios relacionados à queda hormonal.

Para lidar com esses “perrengues biológicos”, existem tratamentos eficazes. A terapia hormonal, tanto geral quanto local com estrogênio vaginal, é apontada como principal recurso para restaurar os tecidos e a mucosa. Para aquelas que não se adaptam à terapia hormonal, hidratantes vaginais tópicos podem oferecer alívio e reduzir a dor. A conversa aberta com o ginecologista é fundamental, embora muitas mulheres sintam constrangimento em abordar o tema, o que dificulta a busca por ajuda.

Lubrificantes e novas abordagens para o prazer

O uso de lubrificantes vaginais é um aliado importante para melhorar a lubrificação e evitar a dor durante a penetração. Lara recomenda aplicá-los no pênis, dedo ou dispositivo sexual e na vagina, lembrando que a penetração não é a única forma de intimidade sexual e que a dor não deve ser normalizada. A atriz Angela Dippe, que passou por reposição hormonal, terapia a laser e fisioterapia pélvica, reforça a importância do lubrificante, tratando-o sem vergonha. Ela também defende uma “releitura da vida sexual”, que envolve inovar nas práticas, investir tempo e qualidade nas preliminares e comunicar abertamente as preferências.

Dippe também sugere que não se deve comparar a própria experiência sexual com a de outras pessoas e que, se não houver um parceiro fixo, experimentar novos relacionamentos pode ser benéfico. Em sua peça “Da Puberdade à Menopausa” e no podcast “Memórias da Puberdade à Menopausa”, ela enfatiza que o sexo não se resume a um único roteiro, mas sim a um conjunto de beijos, toques, carinhos e outras formas de intimidade. Especialistas ressaltam que, apesar de muitos tabus culturais e históricos que associam o envelhecimento feminino à perda do desejo, a pulsão sexual permanece ativa após a menopausa, desmistificando a ideia de que a fase é uma “aposentadoria do prazer”.

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