A jornada de Kassandra Bacon para a maternidade é marcada pela superação do câncer e por um avanço médico pioneiro.
Aos 17 anos, Kassandra Bacon enfrentou o diagnóstico de linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer que exigiu tratamento agressivo. Mesmo diante da gravidade da situação e da necessidade de quimioterapia intensa, a jovem já vislumbrava o futuro e a possibilidade de um dia ser mãe. Sem tempo para o procedimento convencional de congelamento de óvulos, optou por uma técnica experimental na época: o congelamento de tecido ovariano.
Vinte e três anos depois, aos 44 anos, Bacon celebrou o nascimento de seu filho, Landon. Acredita-se que Landon seja o primeiro bebê a nascer de tecido ovariano que permaneceu congelado por mais de duas décadas. A história de Kassandra, que também está livre do câncer há 25 anos, tem inspirado inúmeras mulheres e jovens diagnosticadas com a doença.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Serviço Mundial da BBC.
Um diagnóstico que mudou a vida
O linfoma de Hodgkin de Kassandra exigiu um tratamento que, embora tenha sido bem-sucedido em erradicar o câncer, causou danos significativos aos seus ovários. Aos 33 anos, ela entrou em menopausa precoce, o que intensificou sua busca por uma solução para realizar o sonho da maternidade. A decisão de congelar tecido ovariano foi tomada às pressas, antes de iniciar a quimioterapia, pois o tempo não permitia o processo de estimulação ovariana necessário para o congelamento de óvulos.
A cirurgia para retirada de quatro amostras de tecido ovariano foi realizada por Sara Matthews, uma das poucas cirurgiãs no Reino Unido capacitadas para o procedimento. Na época, a técnica ainda era experimental e não havia garantia de que um dia seria possível utilizá-la para conceber um filho.
A espera e a jornada para o reimplante
Após o sucesso do tratamento contra o câncer, Kassandra dedicou uma década à busca por um profissional que pudesse realizar o reimplante do tecido ovariano congelado. A falta de documentação adequada, devido à regulamentação do procedimento ter ocorrido após a cirurgia inicial, apresentou um obstáculo. Com a ajuda de Sara Matthews, Kassandra encontrou uma clínica em Israel disposta a realizar a cirurgia.
O procedimento, agendado para o Centro Médico Sheba, em Israel, foi adiado devido aos conflitos na região em outubro de 2023. Em meio à incerteza, Kassandra temeu que sua única esperança fosse perdida. Um cessar-fogo temporário em maio de 2024 permitiu que ela viajasse para realizar a cirurgia com segurança, retornando ao Reino Unido pouco antes do fim do acordo.
O renascimento da fertilidade e a chegada de Landon
Poucos meses após o reimplante, Kassandra voltou a menstruar. Após tentativas frustradas de engravidar naturalmente, o casal recorreu à fertilização in vitro. Após três ciclos de tratamento, no Natal de 2025, Kassandra confirmou a gravidez. O nascimento de Landon, em setembro deste ano, representa a realização de um sonho que se estendeu por mais de duas décadas.
O transplante de tecido ovariano envolve a retirada de fragmentos do órgão, que são congelados até que a paciente esteja pronta para engravidar. O reimplante, semelhante a um enxerto de pele, permite que o tecido se reconecte aos vasos sanguíneos, restabelecendo a função ovariana. Estudos indicam altas taxas de sucesso na restauração do ciclo reprodutivo e no nascimento de bebês após este procedimento, que já resultou em mais de 200 nascimentos em todo o mundo.
Um legado de esperança
A história de Kassandra Bacon ressalta a importância das discussões sobre preservação da fertilidade em jovens diagnosticados com câncer. Com o avanço dos tratamentos oncológicos e a melhoria do prognóstico, o foco tem se voltado para garantir que esses pacientes possam ter uma vida adulta plena, incluindo a possibilidade de formar uma família. A determinação e a persistência de Kassandra, demonstradas desde a adolescência, servem como um poderoso testemunho de resiliência e esperança.
