Ataque a oliveiral na Cisjordânia deixa feridos e expõe tensões
Dezenas de colonos israelenses, muitos deles mascarados e vestidos de preto, atacaram nesta sexta-feira (16) um grupo de palestinos que realizava a colheita anual de azeitonas em um oliveiral próximo à vila de Abu Falah, na Cisjordânia. O ataque, que incluiu o lançamento de pedras e a queima de oliveiras, resultou em pelo menos duas pessoas feridas. Entre os atingidos está a fotojornalista americana Heidi Levine, que relatou ter sido agredida e chutada por colonos enquanto trabalhava.
Segundo relatos de testemunhas à agência Reuters, cerca de 80 colonos desceram de uma colina em direção ao olival onde moradores locais se reuniam. Armados com estilingues e pedras, os agressores confrontaram os palestinos, que tentaram se defender. O incidente ocorreu na presença de militares israelenses, que, de acordo com relatos, dispararam gás lacrimogêneo contra os palestinos após a chegada de jipes militares à área. Um colono armado teria sido visto disparando uma arma durante o confronto.
As Forças Armadas de Israel emitiram um comunicado afirmando que soldados e policiais de fronteira efetuaram disparos de advertência e contra um indivíduo que representava uma ameaça. A nota também condenou tentativas de incitar atritos e a violência contra civis, classificando tais atos como inaceitáveis e prejudiciais à segurança regional.
Médicos palestinos confirmaram o atendimento a duas pessoas feridas, encaminhadas para hospitais em Ramallah. Heidi Levine, fotojornalista do Washington Post, descreveu o ataque em detalhes, afirmando que foi empurrada ao chão e agredida repetidamente, sendo salva pelo uso de colete à prova de balas e capacete. O editor-executivo do Washington Post, Matt Murray, exigiu uma investigação completa sobre o ocorrido, destacando que Levine estava claramente identificada como jornalista.
Aumento da violência e contexto de ocupação
O ataque em Abu Falah reflete um aumento na violência perpetrada por colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia ocupada. De acordo com o grupo de monitoramento Yesh Din, mais de 170 ataques foram registrados desde o final de setembro. Especialistas apontam que o aval do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu à expansão de assentamentos e postos militares na região tem encorajado episódios agressivos.
Apesar de o primeiro-ministro Netanyahu ter condenado a violência, as medidas para coibir tais incidentes têm sido limitadas, gerando críticas e planos de sanções por parte de aliados de Israel, como Estados Unidos e Reino Unido. A Cisjordânia abriga cerca de meio milhão de colonos israelenses e mais de três milhões de palestinos. A comunidade internacional, incluindo órgãos da ONU, considera os assentamentos israelenses ilegais sob o direito internacional, uma posição que Israel contesta, classificando o território como disputado.
