FPA declara apoio a Flávio Bolsonaro e critica governo
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a maior bancada do Congresso Nacional, anunciou nesta quinta-feira (1º) o apoio oficial à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência da República. A decisão marca o fim da posição de neutralidade que a entidade mantinha até então e conta com o respaldo de 345 deputados e senadores. A justificativa para o movimento reside na alegada convergência entre o plano de governo de Flávio Bolsonaro e as prioridades do setor agropecuário.
A FPA, que já vinha demonstrando alinhamento com candidaturas de direita favoráveis ao agronegócio desde o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, comunicou a decisão em carta divulgada na noite de quinta-feira. Segundo a entidade, o apoio reflete a “convergência das diretrizes do plano de governo do candidato com as prioridades, necessidades e demandas urgentes do setor”.
Durante uma transmissão ao vivo com o senador, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) declarou publicamente o apoio do setor, incentivando a mobilização de produtores rurais “para tirar o PT” do poder. Em resposta, Flávio Bolsonaro agradeceu e prometeu compromisso com o agronegócio, enfatizando a busca por “estabilidade, previsibilidade, mais recursos para Plano Safra e para seguro rural”. As informações foram divulgadas pela própria FPA.
Críticas ao governo e desafios do setor impulsionam decisão
O deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da FPA, explicou que a decisão responde ao “momento político do país” e às insatisfações do setor produtivo com as políticas do governo atual. Segundo Lupion, a diretoria da frente foi consultada e avaliou o cenário eleitoral, levando em conta as dificuldades enfrentadas pelo agronegócio, como o alto custo de produção, a escassez de diesel e os problemas na renegociação de dívidas rurais.
O presidente da FPA também criticou medidas econômicas do governo, afirmando que o setor está sendo diretamente impactado pelo endividamento público e das famílias. Lupion citou como exemplo a rejeição de 144 emendas apresentadas pela FPA pelo relator Paulo Pimenta (PT-RS), líder do governo na Câmara, classificando o fato como uma demonstração da falta de diálogo do governo com o setor.
Antecipação devido à polarização eleitoral
A FPA expressou ainda a expectativa de que, a partir de 2027, o Congresso consiga implementar medidas para aumentar a estabilidade e a previsibilidade econômica. Lupion atribuiu a antecipação da decisão da bancada à forte polarização da atual eleição presidencial, que, segundo ele, cria a possibilidade de um “voto útil” já no primeiro turno, influenciando a tomada de posição da FPA antes mesmo de uma eventual segunda volta.
O presidente da FPA revelou também sua participação, juntamente com Tereza Cristina, na elaboração do plano de governo de Flávio Bolsonaro, e que ambos são consultados pela campanha sobre temas relacionados ao agronegócio. Flávio Bolsonaro é membro da própria FPA, o que reforça o elo entre o candidato e a bancada.
Na carta oficial de apoio, a FPA reiterou o objetivo de contribuir para um ambiente econômico de “estabilidade, previsibilidade e prosperidade”. A entidade concluiu reafirmando a força do setor rural, que, segundo a nota, “seguirá de pé, com responsabilidade, independência e disposição para garantir a segurança alimentar dos brasileiros e construir o futuro do nosso País”.
