Morre Elis, uma das gêmeas diagnosticadas com progéria, doença rara de envelhecimento precoce
Morre Elis, uma das gêmeas diagnosticadas com progéria, doença rara de envelhecimento precoce

Morre Elis, uma das gêmeas diagnosticadas com progéria, doença rara de envelhecimento precoce

Morre Elis, uma das gêmeas diagnosticadas com progéria, doença rara de envelhecimento precoce Elis Lima Carneiro, uma das gêmeas que viviam com a síndrome de Hutchinson-Gilford, conhecida popularmente como progéria, faleceu nesta quarta-feira (30) em Boa Vista, Roraima. Aos cinco anos, Elis sucumbiu a uma infecção pulmonar generalizada, conforme informado pela família através das redes […]

Resumo

Morre Elis, uma das gêmeas diagnosticadas com progéria, doença rara de envelhecimento precoce

Elis Lima Carneiro, uma das gêmeas que viviam com a síndrome de Hutchinson-Gilford, conhecida popularmente como progéria, faleceu nesta quarta-feira (30) em Boa Vista, Roraima. Aos cinco anos, Elis sucumbiu a uma infecção pulmonar generalizada, conforme informado pela família através das redes sociais do irmão mais velho, Guilherme Lago. Sua irmã gêmea, Eloá, também foi diagnosticada com a condição.

A progéria é uma doença genética extremamente rara, que afeta múltiplos sistemas do corpo e leva a um envelhecimento acelerado. A causa mais comum é uma mutação espontânea no gene LMNA, responsável pela produção de uma proteína essencial para a estrutura celular. Essa alteração resulta na produção de uma proteína defeituosa, a progerina, que se acumula nas células, comprometendo seu funcionamento e desencadeando os sinais de envelhecimento precoce.

Segundo a Progeria Research Foundation, a condição afeta aproximadamente 400 crianças em todo o mundo. A síndrome geralmente não é herdada dos pais, surgindo como uma nova mutação genética.

Sintomas e diagnóstico da progéria

Bebês com progéria costumam nascer com aparência saudável. Os primeiros sinais de envelhecimento acelerado aparecem nos primeiros dois anos de vida, manifestando-se como desaceleração no crescimento e alterações na composição corporal. Entre os sintomas mais visíveis estão baixa estatura, dificuldade em ganhar peso, perda de cabelo, redução da gordura subcutânea e enrijecimento ou afinamento da pele. Podem ocorrer também veias mais aparentes, alterações na voz e características faciais distintas, como cabeça desproporcionalmente maior, queixo pequeno e olhos proeminentes.

A síndrome pode ainda causar rigidez e dores articulares, alterações ósseas, deslocamentos de quadril e ombro, além de problemas dentários, perda auditiva e comprometimentos visuais. É importante notar que, apesar das manifestações físicas, o desenvolvimento cognitivo e social das crianças com progéria geralmente é preservado, mantendo capacidades intelectuais compatíveis com a idade.

O diagnóstico definitivo da progéria é confirmado por meio de testes genéticos, permitindo o acompanhamento médico especializado e a prevenção de complicações. No caso de Elis e Eloá, a suspeita da doença surgiu por volta dos nove meses de idade, após um período inicial sem sinais atípicos. A confirmação veio em dezembro de 2022.

Impactos na saúde e expectativa de vida

O sistema cardiovascular é o mais afetado pela progéria, com o envelhecimento acelerado das artérias, condição conhecida como aterosclerose. Esse processo aumenta significativamente o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras complicações cardíacas, que são as principais causas de mortalidade entre os pacientes.

Sem tratamento específico, a expectativa de vida média para indivíduos com progéria é de cerca de 14,5 anos. Com acompanhamento médico adequado e o uso de terapias medicamentosas, essa sobrevida pode se aproximar dos 20 anos, com relatos de pacientes que alcançaram meados dos 20 anos de idade. Embora não haja cura para a progéria, tratamentos podem retardar a progressão da doença, mitigar complicações e prolongar a longevidade.

O manejo da condição envolve uma equipe multidisciplinar focada no monitoramento da pressão arterial, colesterol e função cardíaca, além de suporte ósseo, nutricional, oftalmológico, auditivo e odontológico. Atualmente, o medicamento lonafarnibe (Zokinvy) é o único aprovado para a progéria em alguns países, atuando na inibição da enzima responsável pelo acúmulo de progerina. Apesar de demonstrar melhora na saúde e expectativa de vida, o alto custo do tratamento representa um obstáculo significativo, especialmente no Brasil, onde o medicamento ainda não possui registro sanitário para comercialização regular.

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