Médico de hospital universitário é criticado após expor prontuário e debochar de paciente com obesidade nas redes sociais
Médico de hospital universitário é criticado após expor prontuário e debochar de paciente com obesidade nas redes sociais

Médico de hospital universitário é criticado após expor prontuário e debochar de paciente com obesidade nas redes sociais

Médico residente do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto é alvo de críticas por expor dados de paciente e fazer comentários jocosos sobre sua condição de obesidade em uma rede social. A postagem, que rapidamente alcançou mais de 100 mil visualizações antes de ser removida, gerou indignação e levantou questões sobre ética médica e proteção […]

Resumo

Médico residente do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto é alvo de críticas por expor dados de paciente e fazer comentários jocosos sobre sua condição de obesidade em uma rede social. A postagem, que rapidamente alcançou mais de 100 mil visualizações antes de ser removida, gerou indignação e levantou questões sobre ética médica e proteção de dados.

O caso envolve um médico residente de anestesiologia do HCFMRP-USP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo), identificado como Guilherme Lourenço Monteiro. Na última segunda-feira (21), ele compartilhou em seu perfil no X (antigo Twitter) uma imagem de um prontuário médico contendo informações como peso, altura e Índice de Massa Corporal (IMC) de um paciente com obesidade. A legenda acompanhava a imagem: “Isso aqui é uma amostra pra vocês entenderem com o que lidamos aqui no Hospital das Clínicas”. Apesar de o nome do paciente não ter sido divulgado, a exposição dos dados e o tom de deboche foram considerados inadequados.

Procurado pela reportagem, o médico não respondeu aos contatos até o fechamento desta matéria. Já o HCFMRP-USP, em nota oficial, declarou ter conhecimento da publicação e classificou a atitude como “preconceituosa”. A instituição afirmou que, embora a identidade do paciente não tenha sido revelada, a postagem é “inadequada e não condiz com a postura profissional preconizada por esta instituição”, e que “providências já estão sendo tomadas para que a conduta não se repita”. Detalhes sobre as providências e a situação atual do médico residente, no entanto, não foram fornecidos.

Violação de sigilo e LGPD

A legislação brasileira, incluindo o Código de Ética Médica e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), estabelece o sigilo médico como um pilar fundamental, proibindo a divulgação de informações obtidas durante o atendimento. Advogados especialistas em direito médico apontam que, mesmo sem a identificação direta do paciente, o conjunto de dados exposto pode ser suficiente para identificá-lo, especialmente quando associado a informações específicas do hospital e valores fora do padrão. A LGPD classifica dados de saúde como sensíveis, exigindo máximo grau de proteção para evitar discriminação.

Além da violação do sigilo, a ironia sobre características físicas de um paciente pode configurar uma ofensa à honra e à dignidade, além de reforçar o estigma social contra pessoas com obesidade. A remoção do conteúdo após a repercussão não anula a infração, podendo apenas influenciar na determinação da gravidade e de eventuais indenizações, já que capturas de tela podem circular e servir como prova.

Diretrizes do CFM e possíveis sanções

A conduta do médico também contraria as diretrizes do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre o uso de redes sociais. A resolução 2.336/2023 permite a discussão sobre a rotina profissional, mas proíbe expressamente a identificação de pacientes e o uso de linguagem pejorativa ou desrespeitosa. Dependendo da investigação, o médico pode enfrentar processos em diferentes esferas: ética, no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), com sanções que vão de advertência à cassação do registro; civil, por ação de danos morais movida pelo paciente; e penal, por violação de segredo profissional. Como residente, ele também pode sofrer sanções disciplinares da universidade e do hospital, incluindo o desligamento do programa.

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