Lula critica Trump como 'imperador' e ações dos EUA na Venezuela
Lula critica Trump como ‘imperador’ e ações dos EUA na Venezuela

Lula critica Trump como ‘imperador’ e ações dos EUA na Venezuela

Presidente brasileiro expressa desacordo com a postura de Donald Trump em relações internacionais e questiona intervenções americanas em outros países. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou suas críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em entrevista à CNN Internacional nesta segunda-feira (21). Lula voltou a classificar Trump como um “imperador”, expressando seu […]

Resumo

Presidente brasileiro expressa desacordo com a postura de Donald Trump em relações internacionais e questiona intervenções americanas em outros países.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou suas críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em entrevista à CNN Internacional nesta segunda-feira (21). Lula voltou a classificar Trump como um “imperador”, expressando seu descontentamento com a maneira como o líder americano conduz as relações internacionais, baseada na imposição de sua vontade por meio do poder econômico e militar. As declarações foram dadas em Nova York, onde Lula participa da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Na conversa com a jornalista Christiane Amanpour, Lula relembrou uma entrevista anterior, de 2025, na qual já havia feito a mesma avaliação sobre Trump. “Ele age como imperador. É uma forma de governar com a qual eu não concordo”, afirmou, explicando que a lógica de Trump é de que “o país que possui mais poder econômico, riqueza e força pode impor suas decisões aos demais”. Para o presidente brasileiro, essa é a “lei do mais forte”, um princípio com o qual ele discorda.

As informações foram reunidas a partir de declarações de Lula em entrevista à CNN Internacional.

Tarifas americanas e busca por novos mercados

Lula também abordou as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, classificando-as como baseadas em “mentiras”. Ele detalhou que, após a aplicação de sobretaxas que elevaram a tarifa média para 17,7% e, em alguns casos, para 37,5%, o Brasil optou por diversificar seus parceiros comerciais em vez de focar em retaliações diretas. Segundo ele, as exportações brasileiras para os EUA caíram 9%, enquanto as importações americanas pelo Brasil recuaram 8,5%. Em contrapartida, o comércio brasileiro com outros 57 países cresceu, em média, 10,5%, com destaques para China (+20%), Japão (+18%) e Alemanha (+16%).

O presidente ressaltou que o Brasil busca outros mercados e não ficará “chorando pelo leite derramado”. Ele mencionou que as negociações com os Estados Unidos sobre as tarifas estão em andamento e que o Brasil poderá aplicar a Lei da Reciprocidade caso as conversas não resultem em um acordo satisfatório.

Críticas à intervenção dos EUA na Venezuela

Outro ponto de crítica de Lula foi a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro em janeiro. O presidente brasileiro considerou a ação uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela” e um “precedente perigoso nas relações internacionais”. Segundo Lula, a forma como os EUA atuam no país caribenho transmite a impressão de que assumiram o comando, o que, em sua avaliação, “não é bom para a democracia”. Ele criticou acordos pós-captura que, segundo ele, dão aos EUA uma posição de “grande chefe da Venezuela”, questionando a soberania do país.

Defesa do multilateralismo e crítica ao unilateralismo

Em meio a essas críticas, Lula defendeu a iniciativa Partners for Multilateralism (P4M), lançada por ele em conjunto com líderes de Europa, Quênia e Canadá. A plataforma visa fortalecer o multilateralismo e pressionar por reformas em instituições globais. Lula argumentou que o mundo enfrenta uma “guerra econômica desnecessária” e acusou Trump de favorecer relações unilaterais. Para ele, o comércio internacional deve ser uma “via de mão dupla”, com equilíbrio e regras que evitem que potências imponham suas condições a outros países. Ele alertou que negociações baseadas apenas na força tendem a beneficiar os mais poderosos economicamente, militarmente e tecnologicamente.

A entrevista ocorreu em Nova York, onde Lula participará da Assembleia Geral da ONU. O presidente brasileiro será o primeiro chefe de Estado a discursar na Assembleia nesta terça-feira (22), seguido por Donald Trump.

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