Edinho Silva tenta desvincular pedido de vista de Dino da campanha petista
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou neste sábado (19) que o pedido de vista do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, no caso que investiga a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, é um “fato isolado” e que “não respinga na campanha” do presidente Lula. A declaração foi feita em Florianópolis, antes de um evento.
“Como o presidente Lula já se posicionou, nós queremos é que todas as denúncias sejam apuradas. E, se for concluído que alguém tem responsabilidade sobre ilícitos, que esses responsáveis paguem pelos seus erros. Ninguém está acima da lei”, declarou Silva. A posição contrasta com a fala do dirigente petista na véspera, quando reconheceu que a crise institucional no STF havia “atingido” e “desgastado” a campanha eleitoral.
As informações foram reunidas a partir de declarações de Edinho Silva e reportagens sobre o STF.
Crise no STF e a tensão entre ministros
A suspensão da discussão sobre o caso, que envolve o pedido de Dino para unificar o julgamento e que ele passe por sorteio, ocorreu após uma sessão tensa. Dino classificou o encontro convocado pelo ministro Fachin como “desastrada”. A controvérsia surgiu durante uma discussão acalorada entre os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes, que debateram o envolvimento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, nos fatos apurados. A sessão culminou com um impasse, com o placar empatado entre as propostas de unificação e de julgamento em separado, antes do pedido de vista de Dino.
PT intensifica debate sobre reforma do Judiciário
A crise no Supremo Tribunal Federal tem servido de catalisador para o PT aprofundar o debate sobre a reforma do Judiciário. Desde abril, o partido tem aprovado em congressos e seminários propostas que incluem a criação de códigos de ética mais rigorosos, a discussão sobre representação popular nos tribunais e, mais recentemente, a defesa de mandatos para ministros de cortes superiores, o fim de supersalários e penduricalhos, e maior participação da sociedade civil em conselhos como o CNJ e o CNMP.
