A incorporação da PrEP injetável no Sistema Único de Saúde (SUS) avança com uma recomendação preliminar favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). A nova modalidade de profilaxia pré-exposição ao HIV, que consiste em uma injeção aplicada a cada dois meses, deve priorizar indivíduos em maior vulnerabilidade e com dificuldades de acesso à PrEP oral, segundo documentos do Ministério da Saúde. Ainda não há previsão de quando as doses estarão disponíveis na rede pública.
A estratégia visa ampliar as opções de prevenção ao HIV, não necessariamente substituir a PrEP oral já oferecida. A oferta inicial, conforme o relatório técnico preliminar da Conitec, seria direcionada a pessoas em situação de vulnerabilidade que, por razões sociais ou barreiras no acesso aos serviços de saúde, não estejam utilizando a forma em comprimidos. A ideia é complementar e não substituir a terapia existente.
O cabotegravir, nome do medicamento injetável, é um antirretroviral que atua bloqueando a replicação do HIV. Sua aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abrange adultos e adolescentes acima de 12 anos com peso mínimo de 35 kg e risco aumentado de infecção. Embora a indicação da Anvisa seja ampla, a avaliação inicial para o SUS considerou homens que fazem sexo com homens e mulheres transgênero, mas a Conitec expandiu a população elegível para pessoas sexualmente ativas em contextos de maior vulnerabilidade ao HIV.
Critérios e funcionamento da PrEP injetável
Os critérios definitivos de elegibilidade e prioridade para o acesso à PrEP injetável no SUS ainda estão sendo definidos. O esquema de tratamento aprovado pela Anvisa prevê uma aplicação inicial, seguida por uma segunda dose um mês depois, e aplicações de manutenção a cada dois meses. Uma fase oral antes das injeções é opcional. É fundamental que, antes de iniciar a profilaxia, a pessoa não viva com HIV e mantenha testagens periódicas durante o tratamento, pois o medicamento pode permanecer no organismo por um longo período após a última aplicação.
Os ensaios clínicos indicaram que o cabotegravir de longa duração apresentou uma eficácia superior à PrEP oral diária, com reduções significativas no risco de infecção. Essa vantagem é parcialmente atribuída à menor dependência da adesão diária, embora a adesão ao comparecimento para as aplicações periódicas continue sendo um desafio. A disponibilidade da PrEP injetável pode ser crucial para indivíduos com dificuldades em manter a rotina de uso diário de comprimidos, enfrentar estigma ou ter rotinas que dificultam o uso diário.
Contudo, a necessidade de retorno periódico aos serviços de saúde para receber a injeção pode representar um obstáculo para populações socialmente vulneráveis, especialmente em áreas com infraestrutura limitada. Para pessoas em situação de rua, por exemplo, garantir a continuidade das aplicações exige estratégias que não dependam de endereço fixo ou telefone, como a busca ativa por parte do SUS para assegurar o seguimento do cuidado.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Conitec e pelo Ministério da Saúde.
