Fachin adia encontro com OAB em meio a crise no STF
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin, adiou a reunião que estava prevista para esta quarta-feira (9) com representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O encontro visava discutir a crise que envolve magistrados da Corte, especialmente em relação ao caso Master e às recentes revelações sobre a interação do ministro Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A justificativa apresentada foi a de “muitas demandas nesta semana”.
A decisão de adiar o encontro foi vista como incomum pela OAB, que tradicionalmente tem audiências com a presidência do STF quando solicita. A reunião aconteceria em um momento de grande preocupação da entidade com os possíveis efeitos da crise institucional que assola o Judiciário. Apesar do adiamento, o presidente da OAB, Beto Simonetti, convocou uma reunião extraordinária do Colégio de Presidentes da Ordem para debater a situação do Supremo e seus reflexos institucionais, em especial diante do período eleitoral.
O pedido de audiência da OAB ocorreu após a divulgação de um relatório da Polícia Federal contendo mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Segundo o documento, Vorcaro teria se encontrado com Moraes diversas vezes entre 2024 e 2025 e enviado mensagens ao ministro antes de sua prisão em novembro do ano passado. O relatório também aponta para um contrato de R$ 130 milhões entre o escritório da esposa de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o ex-banqueiro.
OAB busca respostas e preservação institucional
Em declarações, Beto Simonetti enfatizou a necessidade de “serenidade, transparência e respostas rápidas e claras do Supremo Tribunal Federal”. Ele ressaltou que o objetivo da OAB não é enfraquecer a Corte, mas sim “preservá-la”, uma vez que a confiança nas instituições é fundamental para a estabilidade social e democrática do país. A entidade busca garantir que a apuração dos fatos seja rigorosa e imparcial, independentemente dos envolvidos, e que sejam respeitadas as garantias constitucionais como o devido processo legal, a ampla defesa e a presunção de inocência.
Em nota divulgada no início de setembro, a OAB já havia se posicionado defendendo uma investigação aprofundada e isenta, sem solicitar o afastamento de autoridades. A entidade reiterou seu compromisso com a defesa da Constituição e expressou preocupação com os impactos da crise sobre as instituições democráticas, especialmente por envolver órgãos essenciais e ocorrer em período eleitoral. A OAB reafirmou que continuará cumprindo seu papel institucional de garantir a lisura e a credibilidade do sistema judiciário.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela imprensa.
